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Comercial protagonizado por família negra sofre ataques racistas

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Alguns internautas alegam falta de representatividade branca na campanha. No entanto, pesquisas revelam baixa presença de negros na publicidade brasileira

Por LUANA BENEDITO | O DIA

Protagonizada por uma família negra, a campanha de Dia dos Pais do Boticário tem sido alvo de ataques racistas na Web. O comercial, que foi lançado na última quinta-feira, tem gerado incômodo entre cerca de 16 mil internautas que reagiram com a opção “não gostei” no vídeo que já conta com mais de 6 milhões de visualizações e 66 mil reações positivas. Alguns usuários ainda alegaram falta de representatividade branca nos comentários.

“Por que não tem nenhuma pessoa branca no comercial? Não é direitos iguais?”, comentou um internauta. “Pouco criativo e racista. Vamos misturar essa família aí”, disse outra. Entretanto, muitos usuários das redes sociais saíram em defesa da marca de cosmética pelo posicionamento da campanha. “Campanha do dia dos pais da boticário em 2016. Exclusivamente com famílias brancas. Não tem ninguém reclamando da falta de diversidade. NINGUÉM”, lembrou um internauta.

Para Renata Pedreira, militante do Movimento Negro, racismo reverso é uma distração criada pelos brancos para negar, confundir e apagar o verdadeiro debate racial. “Quando um branco se sente aviltado por uma propaganda que mostra uma família preta e passa a exigir diversidade, ele está simplesmente demarcando seu local de poder. Ele não está disposto a perder nenhum centímetro de privilégio e de representatividade. Poder tem relação direta com controle”, explica a mestre em enfermagem.

“Quando a branquitude deturpa o que é racismo, ela retoma o controle. Ela tenta tirar nossa capacidade de luta, fazendo parecer legítimo o mito da democracia racial, a ideia de que ‘somos todos iguais’. Não é má fé ou monstruosidade, o racista é uma pessoa comum que não se importa com o fato da população preta ser maioria no país, mas não estar representada de forma adequada na mídia. O racista não quer saber de preto com paridade nos espaços de poder, por isso cria termos como racismo reverso”, completa Renata.

Segundo a militante, o racismo é uma estrutura e como toda estrutura remete ao poder e hierarquização. “Quando os povos brancos resolveram reafirmar sua supremacia, eles usaram toda uma estrutura social que legitimava sua superioridade sobre povos não brancos, principalmente sobre pessoas pretas. Usaram de mecanismos políticos, deturparam a ciência criando teorias eugenistas para alegar uma inferioridade do povo preto, traçaram um perfil de criminoso baseado em fenótipos descritivos da população preta”, afirma.

“Por séculos vivemos um padrão de beleza que não condiz com a maioria da população, a imagem de grupos familiares apresentadas em comerciais, sempre representou a menor parcela da população (os brancos). Que resposta daremos enquanto sociedade a esses pedidos de diversidade por conveniência?”, indaga Renata.

Em nota, o Boticário informou que “não é de hoje que trilha esse caminho de retratar a diversidade étnica que torna nosso país tão rico e especial”. Segundo a marca, a campanha tem o propósito de exaltar com bom humor a importância da figura paterna por meio de tentativas divertidas que os pais fazem para acertar na criação dos filhos.

Negras na publicidade aumentam, mas cenário ainda é desigual

Uma pesquisa da agência Heads, da ONU Mulheres, revelou que mulheres as negras ganharam mais espaço na publicidade brasileira, mas cenário ainda é desigual. De acordo com o estudo, em campanhas de TV no segundo semestre de 2017, o percentual subiu de apenas 4% – dados do primeiro semestre de 2016 – para 21%.

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