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Fundador da Central Unica das Favelas lança pré-candidatura

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Em 2018, os(as) brasileiros(as) irão às urnas para decidir o futuro político do país. E, nós do Portal Áfricas, perguntamos o que há de novo sob o sol? Quais motivações têm guiado os jovens brasileiros a entrarem para a política? Quem são os novos políticos que tentam disputar a batalha eleitoral em 2018? O que pensam e com o que estão comprometidos?

Nesta edição  especial o Portal Áfricas apresenta o perfil de jovens lideranças que são pré-candidatos ao pleito de 2018! Todos eles são participantes do RenovaBR, um instituto de formação voltado à renovação na política. A iniciativa tem por objetivo capacitar novos talentos com potencial para concorrem a deputados estaduais e federais.

 

Áfricas –  Fale um pouco sobre você.

Anderson Quack: Sou Carioca da Cidade de Deus, um artista multiplataforma, cineasta, escritor, diretor de teatro, jogo nas 11, sou ativista social, um dos fundadores da  Central Única das Favelas, também cofundador da União Comunitária da Cidade de Deus, a UNICOM. Faço sempre o que acredito, o que meus olhos brilham, e procuro sempre fazer na maioria das vezes pelo coletivo. A favela e as ruas me ensinaram muitas coisas, como no filme ” Faça a coisa certa” do Spike Lee”, a gente aprende com as perdas e as vitórias, e eu aprende muito perdendo muitos amigos de infância e ganhei muito com as muitas amizades que pude fazer ao longo desse tempo, dentro e fora da favela. Transformei minha vida numa ponte de acesso a oportunidade, a felicidade, ao conhecimento e por ela passou e passa muita gente. Tudo que aprendi eu dividi. Tudo que recebi eu dividi. Fiz isso inconscientemente por muito tempo e hoje faço com plena consciência.

 

Áfricas –  O que te motivou a entrar para a política?

Resposta: Desde criança com meu Tio Ademir, que era Brizolista fervoroso, eu estou inserido na política. Ele me ensinou o que era democracia, o que foram os anos da ditadura, o que era liberalismo, comunismo, facismo,  eu tinha 9 anos e ficava na casa da minha Bisavó dona Ernestina, na rua Salomão na Cidade de Deus, ouvindo ele sempre atento, diferente de meus primos e primas da mesma idade, e ele falava também de Getulio, Jango, Juscelino, Janio, Carlos Lacerda, não houve motivação, era uma questão de Identidade por que a política fez parte da minha infância, da minha formação e também de identificação, me identifiquei, no primeiro momento era intuitivo, depois a ficha caiu. Tudo que fiz na vida, como artivista, foi sempre no campo da político apartidária, minhas peças de teatro rebatendo uma ação deliberado por Cesar Maia, os Filmes Falcão Meninos do Tráfico e Remoção, o Programa Espelho do Lazaro que eu estou junto a 13 anos que traz sempre questões de educação, meio ambiente, saúde, mas também identidade, racismo, feminismo, no meu livro também, No olho do Furacão da Editora Aeroplano.

Quando eu saquei logo cedo e percebi que havia um caminho na polítiva para mim, eu lamentei o fato de que não haviam condições favoráveis para um favelado estar nesse lugar, disputando esse jogo, e eu não queria ser usado, ser manipulado, eu queria estar de verdade, e sempre desconfiei muito de tudo que me apareceu até três anos atrás, então não tinha muita razão de estar nos partidos políticos que tentavam me seduzir para fazer parte da política formal eu não tinha nenhuma confiança no tipo financiamento que seria feito em minha campanha e eu não tinha identificação com a forma e as práticas que eu via sempre nas favelas onde eu moro e atuo até hoje, e as práticas ainda não tiveram uma mudança significativa, ainda carecemos de renovação urgente. Ai Surge uma possibilidade de realizar um sonho meu , a criação do FFB o FRENTE FAVELA BRASIL, sonho esse que estava engavetado a mais de 20 anos quando tentamos fundar o PPPOMAR o Partido Popular Poder Para Maioria, tudo que nós buscávamos a 20 anos atrás era representatividade. Hoje estamos mais maduros e os dados e as ruas mostram o quanto representatividade é importante. Hoje apenas 4% do congresso se autodeclaram negros, estamos diante de um genocídio da juventude e da população negra, ou criamos uma bancada por onde os pretos possam falar, serem ouvidos, terem o poder e exercerem o poder de mudança efetivo ou a miséria e o genocídio dessa população que representa 54% dos brasileiros, irá cada vez mais se agravar e fazendo com que vivam ainda mais em piores condições. E isso não é razoavél. A gente precisa ter igualdade de oportunidade para sermos felizes e plenos enquanto seres humanos.

 

Áfricas –  Mais de 4 mil pessoas de todos os estados se inscreveram no processo seletivo do RenovaBR. Os inscritos passaram por etapas de teste online, vídeos de apresentação pessoal, entrevistas e banca avaliadora com especialistas em gestão pública e política.

Você foi um dos 100 selecionados para ser uma liderança RenovaBR. Como foi o processo seletivo?

Resposta: Fazia tempo que eu queria voltar estudar e o Renova Br foi meu ENEM! Nunca me preocupou a quantidade de participantes eu nunca nem soube durante o processo, como hoje que sou pré candidato a Deputado Federal não me importa muito quem está participando. Gosto de olhar meu empenho e meço meus índices e indicadores por mim mesmo, de acordo com minhas metas e objetivos a serem alcançados. Quando soube a quantidade de participantes do processo seletivo eu fiquei feliz porque é uma grande vitória e nós que sabemos o que passamos nessa seleção, temos uma consciência que não foi nada fácil. Desde o início onde no processo de inscrição o candidato tinha que fazer um vídeo e postar, uma coisa meio BBB, confesso que tive resistência, mas por meio desse vídeo tive um despertar, por que confesso que não tinha menor pretensão de me candidatar. Eu queria fundar o partido (FFB) e aprender mais sobre política… Quando eu fiz o vídeo que tinha de dizer se meu interesse era federal ou estadual, ali passou um filme em minha cabeça e eu me vi de outra forma e eu gostei de me ver naquele lugar, ativou minha memória infantil e dessa vez eu estava em um processo seguro. Depois a cada etapa da seleção, mesmo com o sentimento muito latente de que eu tinha ido bem, sempre tinha fortes dores de barriga a espera do resultado, e cada etapa eu crescia e amadurecia a ideia da política na minha vida, aprendi muito com esse processo seletivo, e valorizo o renova, aprendi muito para vida, do quanto a gente precisa botar a mente para pensar e sair de um lugar de pensamento raso, o renova me devolveu a oportunidade de pensar e agir com mais profundidade e isso me fez pensar novamente em política com seriedade, como tem wue ser, eu estava desacreditado e a chama reacendeu. Era cada exercício e teste que eu não sabia se ria ou chorava, o grau de dificuldade altíssimo e ainda por cima cronometrado, eu tinha dúvida se os testes eram para NASA eu pensava, “mais eu não quero ir a lua” rsrsrs foi maravilhoso tudo.

 

Áfricas – O RenovaBR é uma organização que visa inserir pessoas comprometidas e preparadas na política representativa brasileira. Qual  a importância de uma iniciativa dessas para a sociedade?

Resposta: Vai ser difícil sintetizar essa pergunta. Aliás, as perguntas me geram muitas inquietações e eu vou respondendo com o coração e isso faz com que ela se torne uma resposta mais longa, porque traz as minhas vivências, realidades, sonhos, não apenas uma racionalidade da vida, enfim…

A importância do Renova está na ressignificação da sociedade a partir da quebra de paradigma da convergência política. Nossa sociedade está desacreditada e sem o menor estímulo para se envolver com esse tema.  O RenovaBr se tornou uma luz no fim do túnel por que ele trata de formação de novas lideranças que querem renovar a política, trazendo o que as pessoas mais queriam, e vem se tornando um diferencial nesse caminho.

Quem ainda não teve possibilidade de aproximação está vendo o RenovaBR apenas como uma luz no fim do túnel,  já considero isso uma vitória, mas o tempo irá mostrar que ele está além e poder falar disso é uma honra pra mim.

As pessoas em geral nos agradecem por topar o desafio de renovar a politica e disputar as eleições. E nós agradecemos o RenovaBr e seu time por nos possibilitar uma formação que nos garanta mais e melhores condições de buscarresultados positivos nas eleições. Recentemente eu dei uma entrevista para o jornal Gazeta do ES onde disse que o RenovaBR me possibiltou ter amigos como o Otaciano, o Di Biase, o Felipe Rigone, a Adriana Dornelles e tantos outros que são de cidades, partidos e correntes diversas. O RenovaBr pra mim se abriu como um espaço de diálogo que considera e valoriza as diferenças, ao mesmo tempo que leva em consideração a possibilidade de uma convergência que visa no que é melhor para o país.

 

Áfricas – Quais das suas experiências profissionais ou pessoais mais contribuirão para que você se torne um bom representante público?

Resposta: Vixe, muito do que eu falei acima já fala disso, mas quero dar um destaque aqui a uma experiência que eu tive que era ao mesmo tempo fora da arte e ao mesmo tempo dentro. Fui Diretor de Promoção e Fomento da cultura afro brasileira da Fundação Cultural Palmares, uma autarquia do Ministério da Cultura, o muleke da Cidade de Deus chegou ao terceiro escalão do governo federal.

Foi avassaladora essa experiência, participei da criação de editais, lançamento de editais, ações contra intolerância religiosa, participei de banca de editais… Foi tudo muito significativa, e percebi a importância também de se ter diversidade dentro desses espaços. Faz muita diferença ter pretos, brancos,  pessoas com deficiência,  indígenas, mulheres, transexuais, homossexuais,  pensando o que é melhor para o Brasil. Faz diferença ter Favelados, Pobres, Ricos, Ribeirinhas, Perifericos etc.,todos juntos construindo o Brasil nessa gestão pública que eu acredito. Onde os setores estiverem diversos haverá sempre maior chance de uma politica pública mais eficaz e que atenda a necessidade de todos os brasileiros.

 

Áfricas – Nos últimos anos, vimos um acirramento da polarização partidária, enquanto os problemas estruturais do país continuam sem solução. Quais são suas principais bandeiras e como construir uma ambiente político mais democrático?

Resposta: Minha principal bandeira é Igualdade de Oportunidade e pra tornar o ambiente mais democrático você precisa ser mais transparente, caso eu tenha um mandato, ele não será meu, será dos que me elegeram, TODO PODER EMANA DO POVO, isso precisa sair do papel e vir para vida real, esse é meu objetivo, o único que faz sentido pra mim, afinal, quem elege é quem decide. A polarização política pra mim é  também fruto de injustiças sócias, ela está na fundação desse pais, como ter um pais tão desigual e não ter polarização, onde tiver muitos sem nada, e poucos com tudo, haverá polarização, isso serve para tudo, então chegou a hora de quem sempre teve ceder. Não é o que estamos vendo com as cláusulas de barreira, estamos vendo uma tentativa nefasta de manutenção de poder, isso não é aceitável. Muitos dos ricos desse pais, fizeram sua fortuna em cima de exploração, seja na escravidão ou nos dias atuais pós 13 de maio de 1888, a exploração dos mais humildes se dá em todas as esferas, bem como a impunidade para os mais abastados, que mesmo diante de seus crimes não são se quer tocados. Essa desigualdade toda gera polarização.

 

Áfricas – Cada vez mais as pessoas querem se sentir efetivamente representadas na política. Nesse sentido, como você avalia a atuação de movimentos sociais organizados?

Resposta: Movimentos sociais são representativos, necessários e a base para a construção sólida de uma trajetória política ou não. Eu sou exatamente fruto disso, sou filho dos movimentos sociais, ator dos movimentos sociais e entusiasta de movimentos sociais. Os movimentos desempenham papeis mais específicos, a começar que muitos dos movimentos não dialogam, por muitas razões. As pessoas às vezes querem pôr lenha na fogueira e tratar o fato de um movimento não dialogar com o outro como se isso fosse um problema, uma guerra, uma inimizade. Às vezes eles nem se conhecem… Eu que conheço o Brasil todo porque meu trabalho era exatamente através do audiovisual viajar e mostrar as realidades de muitas favelas e periferias, acabei fazendo a ponte de muitos movimentos que não se conheciam, pessoas extraordinárias que precisavam se encontrar.

A representação política deve ser plural e atender a diversidade que está contida na sociedade de um modo geral, seja ela participe ou não de algum movimento. Eu acredito que o movimento social será sempre importante e, repito, sou filho, ator e entusiasta dos movimentos sociais e avalio como sendo de total relevância a existência dos mesmos.

 

Áfricas – Como combater efetivamente a corrupção na política?

Resposta: Política e corrupção parece que infelizmente se tornaram uma coisa só, isso precisa ser mudado, essa associação direta.

Todo cidadão deve combater a corrupção, bem como zelar pela vida, e corrupção é morte, precisamos olhar para nossa sociedade e ver que cada morador de rua, cada hospital falido, cada escola que não é bem equipada, cada professor mal pago, falta de merenda, Genocídio da população negra, falta de agua potável, saneamento básica, tudo isso é fruto da corrupção e ela é o crime de maior impunidade da história desse pais, infelizmente, por que quem rouba milhões não vai preso.

A corrupção está a sua volta, olhe e veja, ela está em todos os espaços, seja nas universidades, seja no mercado de trabalho, seja na política, ela está na sociedade ampla e irrestritamente, hoje mais timidamente, já existe uma vergoinha ai estalada, antes era só descaramento. Combater a corrupção é papel de todos nós.

O primeiro passo é não aceitar, sob nenhuma hipótese. Às vezes tem situações difíceis e que infelizmente são comuns, como uma criança que corre o risco de ficar sem vaga na escola, por exemplo, mas é importante que a gente fique atento.

A prática do “mas ninguém ta vendo” , “só vou fazer dessa vez”, “mas aqui vai sobrar mesmo” … Eu penso no combate a corrupção como no combate ao racismo, no combate a intolerância religiosa, a combate a Homofobia, não podemos dar trégua tem que punir com rigor.

A transparência talvez seja a ferramenta mais eficaz, que é uma ferramenta de prevenção, que é anterior a punição.

 

Áfricas – O uso de ferramentas alternativas de informação (portais, blogs, vlogs, sítios, rádios on-line etc.) aumenta a cada dia. Como evitar que notícias falsas se propaguem nas redes prejudicando a reputação de pessoas? Você teme ser alvo de fake news?

Resposta: Eu estou junto de um grupo criando uma ferramenta chamada PERAI, para que as pessoas antes de compartilharem um conteúdo que pode prejudicar uma pessoa e beneficiar outra, ela identificar se aquela informação procede. Mas isso é muito pouco, vamos enfrentar muitas fakes News ainda, até que isso seja culturalmente entendido, e isso deve demorar um pouco, por isso a importância de termos ferramentas de checagem, existem algumas ai, o AOS FATOS, TRUCO, esses são mais que ferramentas são organizações que ajudam e muito nessa questão principalmente no que tange a política,  e futuramente o PERAI.

Eu não tenho receio de FAKE NEWS, eu vejo o fake News como uma calunia, uma fofoca que esta ai desde de que o mundo é mundo, vi gente morrer na favela por isso, e sei que pode acontecer comigo, mas eu não temo, sofrer injustiça é da vida, eu combato sempre as injustiças, se tiver no meu caminho uma, quem como diz o chapolim “poderá me salvar” , então eu procurei a vida toda ser correto, e tenho isso comigo com muita convicção, o único mal da fake News é que quando ela é desfeita, quando conseguimos  provar que ela era uma mentira, a eleição já passou e você já perdeu, isso não tem preço e nem volta, sua dignidade se restabelece mais a um preço injusto, por que ela não era nem para ter sido posto a prova nesse caso.

 

Áfricas –  Que mensagem você deixaria para o brasileiro ou brasileira que está preocupado com os rumos da política no nosso país? O Brasil tem jeito?

Resposta: Ao longo dessa entrevista, eu fui deixando mensagens de maneira natural, subliminar, mensagens em forma de vivências e de minha trajetória e obra, ainda pequena obra, não sou muito de dar conselhos, deixar mensagens, dar uma orientação mais direta, isso deixo para os mestres, os gurus, os griôs! Mas aceito a provocação de dar uma mensagem mais direta nesse momento em que já topei o desafio maior que é estar na política e disputar uma cadeira no congresso. Falar com as pessoas que estão preocupadas com os rumos da política no Brasil, o que eu digo a essas pessoas?

Participem da politica como sendo um caso de família, mais cedo ou mais tarde, esse assunto chegara até você, então participe efetivamente e conscientemente, acredite que você possa ajudar a construir uma solução mais agregadora. A politica deve ser vista como nossa e não deles, nossa, significa de todos nós brasileiros e estrangeiros que aqui vivem e querem ver esse pais crescer, deles significa, dos mesmo que dizimaram os índios, acabaram com o pau Brasil, o ouro, tornaram um povo escravos por mais de 300 anos e depois negaram e negam a esse povo terra, trabalho e estudo. Vivemos em um pais desigual, mas eu acredito que o Brasil tem jeito, e você também acredita?  Então vamos juntos, se não acredita vamos conversar sobre, afinal, conversando a gente se entende!

 

Nome: Anderson Quack

Organização: Frente Favela Brasil

Canal no You Tube: Anderson Quack

Instagram: www.instagram.com/andersonquack

Página no Facebook: www.facebook.com/andersonquack

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