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Basta de intolerância religiosa: pela reestruturação do Ilê Adé Oju Oyá





por Simony dos Anjos

Foto: Povo de Axé do Ilê Adé Oju Oya

No dia 9 de abril, recebo uma mensagem da querida Cinthia Abreu, mulher, negra, lésbica, periférica e de terreiro: “entraram na nossa roça, levaram nossa comida e nossos objetos sagrados”. Isso me deixou arrasada, pois obviamente se tratava de um crime de intolerância religiosa, racismomachismo e homofobia. O Ilê Adé Oju Oya é um espaço de resistência localizado na periferia da cidade de São Paulo, em Guaianazes, um espaço que acolhe e ampara a comunidade LGBT, comunidade que é constantemente atacada, morta e silenciada.

Infelizmente, esse ataque não é exceção, em outubro do ano passado foram registrados, pelo menos, 8 ataques às religiões de matrizes africanas em São Paulo. Em 2015, uma menina de 11 anos foi atacada após deixar o local de culto, sob a ameaça: “Eles gritaram: ‘Sai Satanás, queima! Vocês vão para o inferno’. Mas nós não demos importância. Logo depois, o pedregulho atingiu minha neta e, enquanto fomos socorrê-la, eles fugiram em um ônibus”, contou a avó da menina, Kathia Coelho Maria Eduardo, de 53 anos, conhecida na religião como Vó Kathi.

E, infelizmente, é com pesar que admito que os cristãos estão à frente da maioria desses ataques, intolerância e desrespeito. Não posso admitir que pessoas que dizem professar a mesma fé que eu ajam dessa maneira em nome de Deus! Basta! Chega de sangue e de ódio!

Eu gostaria, sinceramente, de abraçar cada pessoa que já sofreu esse tipo de ataque, abraçar e me disponibilizar a ajudar. Dessa maneira, faço o que posso: presto toda solidariedade às mulheres guerreiras do Ilê Adé Oju Oya, à Mãe Cláudia, a todas as Ekedys, Ogans, Yaos e Abiãs da casa e publico, também, a vaquinha online para que possamos contribuir com a reconstrução desse lugar:

A seguir, nota do Ilê Adé Oju Oya enviada à Imprensa:

Na semana que se iniciou o mês de abril, o ILÊ ASÉ OJU OYA sofreu um ataque em seu barracão. Localizado em Guaianazes-SP, periferia da região leste da cidade, esse é um espaço de resistência e referencia no território.

Este terreiro é um veículo de acolhimento para a população negra, pobre e LGBT de Guaianazes, bairros aos redores entre outras zonas. Além de ser um espaço de atividades religiosas é também uma estrutura para a articulação de movimentos sociais.

O terreiro da Yalorixá Cláudia de Oya é constituído majoritariamente por mulheres negras, que acreditam que o racismo seja um dos motivos pelo qual sofreram o ataque.

Este (ao contrario do que pregam) “não é um país laico” e as religiões de matrizes africanas, desde os primórdios, são perseguidas e sofrem com o racismo religioso.

A onda crescente do conservadorismo leva o país e principalmente o território periférico a sofrerem com os crimes de ódio. O que reconhecemos como barbárie!

É importante ressaltar, que os terreiros e suas comunidades são de grande importância na luta e resistência do povo preto e das religiões de matrizes africana.

“SE TU QUEIMAR MEU ILÊ, NÓS O ERGUEREMOS DE NOVO”

No dia 10 de abril e 2018, foi feito a denuncia diretamente para o ministério público, pela própria Yalorixá Cláudia de Oya. A resistência segue até que a divida histórica de destruição de quilombos seja paga.

Este é um chamado para o apoio e reconstrução do sagrado. Se puderem contribuir ou não com a vaquinha do Ilê Asé Oju Oya, ficaremos agradecidas, seja qual for o tipo de apoio, mesmo que esse se faça com apenas uma palavra.

“TENTARAM NOS MATAR, MAS SOMOS SEMENTES. NASCEREMOS NOVAMENTE E TODAS AS VEZES QUE FOR PRECISO”

Que Oya abençoe a todos!

Assinado:

Cinthia Abreu Dofona ty Ossayn.

Fernanda Gomes dofona ty Xangô.

Fonte: Carta Capital

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