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Precisamos de mais modelos negras nas passarelas do SPFW

Por Ana Carolina Pinheiro

De uns anos pra cá, a representação negra ganhou mais destaque em vários segmentos, principalmente no mundo da moda. Editoriais com temas de religiões afro-brasileiras, coleções inspiradas na cultura africana, a valorização dos cabelos cacheados e crespos estão com força total… Mas será que essa mudança está realmente chegando a todos os lugares?

As modelos Cindy e Naíme Rodrigues são amigas e aproveitam os intervalos dos desfiles juntas. (Reprodução/Reprodução)

Na música Bang, do Emicida, o rapper canta: “Mas não abraço que de ontem pra hoje ser preto ficou legal”. Depois de passar à tarde na 45ª edição do São Paulo Fashion Week e conseguir contar em duas mãos a quantidade de negros que estavam no evento, essa música ficou martelando na minha cabeça. Sempre gostei muito de moda e desde os 15 anos vou ao SPFW. No começo, ligava nas assessorias ou ganhava convite de um amigo, o Dudu, que sempre conseguia. Com o estágio, comecei a ir para trabalhar. Independente se estava lá, como curiosa ou jornalista, não conseguia me acostumar – ainda bem – com a ausência de negros no evento.

Conversando com a stylist Larissa Cunegundes, que também é negra, percebi que o sentimento de “solidão” étnica não acontecia só comigo. “Tem poucos negros circulando pelo evento. O SPFW precisa expandir, afinal tem muita gente que queria estar aqui, mas não consegue. Nós (negros) não estamos representados nas passarelas, nos convidados e muito menos nos estilistas”, desabafa Lari.

Na sala de imprensa, por exemplo, você encontra um ou dois jornalistas e fotógrafos negros. Uma vez cheguei a ser “confundida” com a pessoa que servia as bebidas, mas, na verdade, estava sentada escrevendo, assim como o profissional que pediu para que eu pegasse uma água. O cantor Fióti, estilista da marca LAB, também passou por uma situação desagradável na 44ª edição. Ele foi impedido de sair do evento após o desfile, mesmo com a credencial que liberava o acesso. Conversando com a Laura Peres, uma das únicas maquiadoras negras no SPFW, ela disse que alguns modelos não seguem as suas orientações no backstage, mas que quando um profissional branco fala, todos obedecem.

Episódios como esses, que não por coincidência aconteceram com pessoas negras, não são exclusividades do SPFW, porém o fato de ter poucos negros naquele espaço acaba incentivando casos desse tipo. Mas e agora, o que fazer para deixar o SPFW com mais diversidade? Para Paulo Borges, idealizador do evento, a questão da diversidade é trabalhada desde sempre pela organização. “A diversidade tem que ser primeiro um passo espontâneo, não tem que ser uma causa. Ela tem que ser naturalmente presente. E, com isso, a gente faz uma série de estímulos, incentivando com que os castings tenham cada vez mais modelos afrodescentes e indígenas. E não só isso, mas falamos também da questão do gênero e dos padrões”.

Em maio de 2009, o Ministério Público de São Paulo fechou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a organização do São Paulo Fashion Week, para garantir a presença de, no mínimo, 10% de modelos negros nos desfiles de cada marca do SPFW. O termo gerou opiniões diversas entre os profissionais da moda, mas, para Helder Dias, empresário que criou a primeira agência exclusiva para os modelos negros, a HDA Models, a medida foi um importante passo, já que o mercado ainda tem um “preconceito escancarado”.

 A modelo Mariana Calazan no backstage do desfile da PatBO.

A modelo Mariana Calazan no backstage do desfile da PatBO.

A modelo Mariana Calazan no backstage do desfile da PatBO. (Reprodução/Reprodução)

A top Mariana Calazan comenta que nos últimos anos o evento passou a ter mais diversidade, mas que ainda pode melhorar um pouco. Sobre o Termo de Conduta, ela diz: “Me pergunto se estou fazendo o desfile da marca porque eles gostam de mim ou é só pra suprir uma cota? Mas acaba sendo o nosso trabalho, não dá pra levar pro lado pessoal”. Para a modelo Naíme Rodrigues, o fluxo de tops negras aumentou e isso pode servir de inspiração para várias meninas. “Eu estou muito feliz porque nós temos mais representatividade. Quando comecei, só tinha uma ou duas modelos negras pra me espelhar, hoje em dia tem muito mais. As meninas que estão começando vão ver que elas também podem ser modelos”, comenta Naíme.

Espero que nas próximas edições, o evento tenha ainda mais espaço para os profissionais negros!

Se você quiser enviar perguntas ou sugestões de temas para conversarmos aqui na coluna O Nosso Lado da História, mande um e-mail para anacarolipa16@gmail.com ou envie um inbox no meu perfil do Instagram (@anacarolipa).

Beijos,

@anacarolipa

Fonte: Capricho

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