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Preta, gorda e empoderada: conheça Manu Cris

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Em 2018, os(as) brasileiros(as) irão às urnas para decidir o futuro político do país. E, nós do Portal Áfricas, perguntamos o que há de novo sob o sol? Quais motivações têm guiado os jovens brasileiros a entrarem para a política? Quem são os novos políticos que tentam disputar a batalha eleitoral em 2018? O que pensam e com o que estão comprometidos?

Redação Portal Áfricas

 

Nesta edição  especial o Portal Áfricas apresenta o perfil de jovens lideranças que são pré-candidatos ao pleito de 2018!

 

Nesta  edição falamos com Manuela Cristina mulher, preta, baiana, educadora e ativista contra o racismo.

 

Áfricas –  Manu fale um pouco sobre você.

 

Manuela – Sou Manuela Cristina, mulher preta e gorda, Professora e Coordenadora Pedagógica da Rede Municipal de Salvador, Administradora da página e canal do YouTube PAPO RETO COM MANU e PAPO De PRETO, ativista da educação de Salvador e de questões raciais e sociais.

 

Áfricas –  O que te motivou a entrar para a política?

 

Manuela – Minha inquietação por justiça social começou na adolescência. Nunca aceitei a negação de direitos e a falta de acesso a bens de consumo, sucesso e qualidade de vida do povo da favela, mas nunca me vi dentro da política partidária. Isso começou quando comecei a me posicionar politicamente na internet. De repente as pessoas começaram a me cobrar estar no espaço de representação, por se sentirem representadas por minha voz, então me questionei: reclamamos tanto de falta de representação, por que não se colocar no lugar de representatividade? Se as pessoas querem é porque se sentem representadas. Nós negros que estamos na frente da luta, temos a responsabilidade de estar nos espaços de decisão, para pautar nossas questões e motivar nosso povo a querer fazer parte do processo político.

 

 

Áfricas –  Você mantem um vlog nas redes sociais certo, você já conquistou um grande público, poderia comentar o que te motivou a fazer este trabalho on-line?

 

Manuela – Nunca imaginei ter essa coragem, rsrsrs, mas quem me acompanhava pedia para que fizesse os comentários que postava no Facebook, em vídeo. Achei que não conseguiria, mas como sempre fui “sem vergonha”, no melhor sentido da palavra, topei. O melhor disso é perceber que muitos dos nossos estão se interessando e discutindo política. A ideia é essa.

 

 

Áfricas – Quais são os principais desafios para uma mulher negra conseguir disputar um pleito eleitoral?

 

Manuela – Não é fácil. Primeiro porque minha imagem não vende, mulher negra e gorda. Segundo porque a política é branca, os representantes tanto na direita quanto na esquerda são brancos, portanto convencer as lideranças a investir numa candidatura preta, se torna uma batalha árdua. Terceiro e último porque as campanhas eleitorais exigem muito dinheiro e nós contamos apenas com a ajuda uns dos outros.

 

 

Áfricas – Quais das suas experiências profissionais ou pessoais mais contribuirão para que você se torne uma boa representante pública?

 

Manuela – O fato de ser professora de escola pública, de se posicionar pelo direito das crianças e adultos da favela à educação de qualidade e de militar para que as necessidades do povo preto sejam pautadas, são fatores preponderantes para ser reconhecida como representante do povo. Minha candidatura não é minha e sim de todas as mulheres que são excluídas, que sofrem por levar as dores do mundo sozinhas, que têm medo dos seus filhos não voltarem para casa, dos meninos e meninas que matam uma selva por dia para se manter estudando e de todos que clamam por um país justo.

 

 

Áfricas – Nos últimos anos, vimos um acirramento da polarização partidária, enquanto os problemas estruturais do país continuam sem solução. Quais são suas principais bandeiras e como construir uma ambiente político mais democrático?

 

Manuela – Não existe democracia com desigualdade e desrespeito às liberdades individuais. Minha luta é para que nosso povo tenham seus direitos garantidos. Direito à vida, à ser o que é sem sofrer agressão, à serviços públicos de qualidade e a ter sucesso. O Brasil precisa aprender a conviver com a diversidade e a respeitar as liberdades individuais. Um país democrático trabalha para que todos os cidadãos goze de bem estar social.

 

 

Áfricas – Cada vez mais as pessoas querem se sentir efetivamente representadas na política. Nesse sentido, como você avalia a atuação de movimentos sociais organizados?

 

Manuela – Os movimentos sociais são os espaços onde nossas vozes são ouvidas. Mas precisamos sair do grito para a ação e isso só acontece quando estamos nos espaços de decisão. É necessário que as lideranças de base, que sentem efetivamente as dores das ditas minorias, sejam representantes dessas minorias. Um empresário jamais vai pautar o aumento dos direitos dos trabalhadores, se isso significa perder lucros. É um representante dos trabalhadores que vai trazer à luz a necessidade da qualidade de vida deste profissional, até para que o trabalho renda. Também, para que haja justiça social, é necessário que as várias vozes, de cada seguimento que ainda é oprimido, sejam ouvidas.

 

 

Áfricas – Como combater efetivamente a corrupção na política?

 

Manuela – Primeiro com transparência. É necessário que o povo faça parte do processo político, não só, na hora do voto, mas nas discussões das propostas, no acompanhamento dos projetos que mudarão sua vida para melhor ou não, participando das discussões que vão gerar a viabilidade desses projetos e na fiscalização destes e dos políticos que elegeram. Segundo formando o povo para escolher seus candidatos de acordo com a representação e não de acordo com o que este dar em troca do voto. Se um candidato só aparece de quatro em quatro anos, oferecendo uma cirurgia, material de construção ou um serviço que a população não tem acesso, ele passa a informação de que passará quatro anos criando e aprovando projetos que negarão esses direitos à população. É importante conhecer o histórico de luta dos candidatos. Por último é necessário fortalecer as instituições que combatem a corrupção, mas que os agentes dessas instituições não tenham histórico de corrupção.

 

Áfricas – O uso de ferramentas alternativas de informação (portais, blogs, vlogs, sítios, rádios on-line etc.) aumenta a cada dia. Como evitar que notícias falsas se propaguem nas redes prejudicando a reputação de pessoas? Você teme ser alvo de fake news?

 

Manuela – Temo e já fui vítima. A internet nos traz informações muito rápidas e isso traz uma vitalização de informações muito rápidas. O combate ao fake news deve ser pauta de políticas públicas. Quanto a mim, sou extremamente transparente e quando aconteceu, imediatamente fiz uma vídeo denunciando. Os seguidores, o povo que acredita em nós, merece ouvir nossa resposta sempre que necessário.

 

 

Áfricas –  Que mensagem você deixaria para o brasileiro ou brasileira que está preocupado com os rumos da política no nosso país? O Brasil tem jeito?

 

Manuela – O Brasil tem jeito sim. Para isso é necessário que o povo seja protagonista, portanto minha mensagem é: desconstrua o conceito de que política é coisa ruim, lugar de corrupto e que não tem jeito. Se interesse por política, conheça os candidatos, entenda as ideologias, investigue o histórico dos candidatos e vote com consciência e não naquele que o vizinho deu um santinho. Político é representante do povo, deve fazer política para o povo, ouvir o povo e não o contrário. Vote, acompanhe, cobre e exerça sua cidadania sempre.

 

Nome: Manuela Cristina Bispo da Cruz

Organização: Secretaria de Educação de Salvador

Canal no You Tub: PAPO RETO COM MANU

Página no Facebook: PAPO De PRETO

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