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Representatividade e política: conheça Thiago Ribeiro

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Em 2018, os(as) brasileiros(as) irão às urnas para decidir o futuro político do país. E, nós do Portal Áfricas, perguntamos o que há de novo sob o sol? Quais motivações têm guiado os jovens brasileiros a entrarem para a política? Quem são os novos políticos que tentam disputar a batalha eleitoral em 2018? O que pensam e com o que estão comprometidos?

Nesta edição especial o Portal Áfricas apresenta o perfil de jovens lideranças que são pré-candidatos ao pleito de 2018! Todos eles são participantes do Renova BR, um instituto de formação voltado à renovação na política. A iniciativa tem por objetivo capacitar novos talentos com potencial para concorrem a deputados estaduais e federais.

Áfricas – Fale um pouco sobre você.

Meu nome é Thiago Ribeiro, tenho 34 anos e sou natural de São Paulo. Tradutor e Intérprete e graduando em Ciências Sociais, trabalhei por 12 anos na área de gestão de projetos e processos de telecomunicações, atualmente possuo um microempreendimento. Escrevo sobre política e direitos humanos em alguns portais voltados para essa temática. Sou militante do Movimento Negro e ativista de Direitos Humanos, defendendo ações voltadas para a garantia de direitos da população negra, periférica, mulheres e LGBT. Membro da Subcomissão de Análise de Compatibilidade com a Política de Cotas Raciais do Município de São Paulo. Liderança Renova Br no estado de São Paulo. Recentemente atuando como coordenador para estruturação do Elo Rede Negra na Rede Sustentabilidade. Atuando em parceria com a Associação de Anemia Falciforme do Estado de São Paulo, busco soluções e projetos de políticas públicas para atenção à saúde da população negra.

Áfricas – O que te motivou a entrar para a política? Em 1992, após uma cirurgia no Apêndice, onde ocorreram várias complicações, fui diagnosticado com Anemia Falciforme. Trata-se de uma doença que, na maioria dos casos, acomete pessoas de raça negra, além de ser hereditária e congênita. Na época eu tinha apenas 8 anos e me recordo das dificuldades enfrentadas por minha mãe, sozinha, para conseguir informações sobre a doença e tratamento. Já em 2010, iniciei minha atuação política, na militância negra e ativismo na área de direitos humanos. Em 2012 decidi denunciar o humorista Danilo Gentili e a emissora onde ele apresentava um programa diário na Rede Bandeirantes, por incitação ao ódio e à violência, devido ao teor das piadas, sempre racistas, sexistas, lgbtofobicas e machistas. Em determinado dia, Danilo me enviou um tweet público perguntando quantas bananas eu queria para deixar o assunto para lá. Acabei passando meses sendo ofendido nas redes sociais por dezenas de milhares de seguidores do humorista. O caso fora denunciado em todos os canais disponíveis, no entanto em determinada instancia do judiciário, o juiz entendeu que o ocorrido não passou de uma piada de mau gosto. Há alguns anos comecei a trabalhar no projeto de um livro sobre como o humor impacta negativamente a vida das pessoas, podendo inclusive ser fator determinante para situações como o genocídio da juventude negra, na medida em que os estereótipos que são motivos de riso em determinado ambiente, são os mesmos que determinam a morte de nossos jovens, chegando a números absurdos. 71% das vítimas de morte violenta, no Brasil, são jovens negros. Todas essas situações me fizeram refletir sobre a necessidade de representantes negros nas casas legislativas. Pessoas comprometidas com transformações estruturais na sociedade e buscando a melhoria de vida das pessoas vítimas de opressões diárias. Há de se levar em conta que possuímos legisladores que representam apenas uma parcela da população. Homens brancos, heterossexuais e ricos definem como a vida da maioria da população, composta por negros e mulheres, deve funcionar. Isso está errado e quanto mais cedo a população perceber isso, antes conseguiremos dar início às transformações que tanto almejamos.

Áfricas – Mais de 4 mil pessoas de todos os estados se inscreveram no processo seletivo do RenovaBR. Os inscritos passaram por etapas de teste online, vídeos de apresentação pessoal, entrevistas e banca avaliadora com especialistas em gestão pública e política.

Você foi um dos 100 selecionados para ser uma liderança RenovaBR. Como foi o processo seletivo?

De fato, passamos por diversas avaliações e a cada etapa percebia que estava mais próximo de meu objetivo principal que era o de representar os interesses de uma parcela da população, com retidão e transparência. Todas as etapas do processo seletivo serviram para que eu obtivesse um selo de qualidade política, ratificando que eu os demais selecionados somos lideranças realmente comprometidas com a renovação política que, é uma demanda da sociedade há tanto tempo.

Áfricas – O RenovaBR é uma organização que visa inserir pessoas comprometidas e preparadas na política representativa brasileira. Qual a importância de uma iniciativa dessas para a sociedade?

O Brasil passa por uma grave crise de representatividade política. Em meio a tantos escândalos de corrupção, perda de direitos e retrocessos, o Renova Br sugere que tenhamos representantes vindos da sociedade e não de famílias ou caciques que ocupam os espaços políticos através de herança. O modelo político atual está ultrapassado e dá indícios de fracasso na medida em que a maioria da população não tem seus interesses representados. Outro problema grave é a motivação política dos parlamentares atuais que, em geral, atuam em benefício próprio ou em troca de vantagens ilícitas. Nos últimos anos, diversos movimentos da sociedade civil surgiram propondo renovação. O Renova Br se destaca por dar atenção ao preparo e formação de suas lideranças. Aulas sobre temas diversos incluindo economia, segurança pública, democracia e ética fazem com que o Renova Br não seja mais um movimento. Como liderança Renova Br, afirmo que há pessoas preocupadas com a situação do Brasil e e doando todo o seu tempo se preparando para representar a população.

Áfricas – Quais das suas experiências profissionais ou pessoais mais contribuirão para que você se torne um bom representante público?

Trabalhei durante muitos anos na área de Gestão de Projetos e Processos, com base no PMbok, que concentra as melhores práticas para gerenciar determinadas atividades e é considerado uma base de conhecimento na área. Essa experiência, com a mais absoluta certeza me auxiliará nessa empreitada, mas nada como conhecer o ser humano. A empatia adquirida ao longo dos anos, aliada à maturidade serão determinantes para que eu seja um bom representante da população. A sensibilidade sobre as questões sociais e raciais me tornam apto a ocupar os espaços de decisão, visto que sou alguém comprometido com pessoas e não com partidos ou acordos escusos. Algumas demandas ou causas são suprapartidárias, como a luta por igualdade racial. Venho trabalhando para que as pessoas entendam que a disputa por bandeiras partidárias é nociva e nos impede de avançar. É momento de união em prol de objetivos e projetos comuns. E o diálogo é a base para construir tudo isso.

Áfricas – Nos últimos anos, vimos um acirramento da polarização partidária, enquanto os problemas estruturais do país continuam sem solução. Quais são suas principais bandeiras e como construir uma ambiente político mais democrático?

A participação popular é fundamental para a construção de um ambiente democrático saudável e que de um retorno satisfatório para a sociedade. A polarização não é causada pela política, mas pela sociedade brasileira que está mergulhada em ódio, indiferença e desigualdade, desde a época em que os primeiros africanos escravizados foram trazidos para cá, contra sua vontade. Infelizmente estamos passando por momentos turbulentos, de pouca escuta e muitas certezas a respeito de tudo. Leandro Karnal, em seu livro “Todos Contra Todos” diz que o problema da polarização é que ela não pensa e que ela adjetiva. É preciso construir espaços de diálogo, respeito e tolerância. Ninguém obriga ninguém a pensar ou agir da maneira como se quer, por isso conversar é primordial. Estabelecer conselhos participativos que apoiem o mandato parlamentar e que apresentem demandas da sociedade pode ser um caminho a ser percorrido. É preciso ouvir mais e falar menos. Estabelecer parcerias com movimentos sociais para proposição de projetos de lei e audiências públicas sobre temas pouco explorados pelo poder público também são alternativas para construir diálogo e empatia sobre diversas questões que afligem a maioria da população. Os jovens negros são os que mais morrem, assim como a mulher negra. A mesma mulher negra que está na base da pirâmide e que sofre com o descaso ao dar a luz e no ambiente de trabalho, recebendo salários infinitamente inferiores. No ano passado o vereador Fernando Holiday criou o Projeto de Decreto Legislativo 48/2017 que pretende retirar diversos artigos do Decreto 57.557/2016, que regulamenta a Política Pública de Cotas Raciais no Município de São Paulo. Isso inclui a não obrigatoriedade de apresentação de documentação, fotos e banca de aferição. Ainda há pessoas que se bronzeiam, enrolam o cabelo e dizem que são afrodescendentes por causa de atributos físicos. Como membro da Subcomissão de Análise de Compatibilidade com a Política de Cotas Raciais do Município de São Paulo, tenho acompanhado de perto a necessidade real de todas essas etapas no processo e não podemos permitir que direitos conquistados após tanto esforço e luta sejam eliminados. A redução da maioridade penal, o encarceramento em massa e a falta de atenção à saúde da população negra também são formas de genocídio da população negra. Igualdade de direitos e oportunidades são as minhas bandeiras.

Áfricas – Cada vez mais as pessoas querem se sentir efetivamente representadas na política. Nesse sentido, como você avalia a atuação de movimentos sociais organizados?

Os movimentos sociais são fundamentais para o exercício pleno da democracia. A aproximação desses movimentos com a política deve ser vista como algo natural. Não há como representar pessoas, sem ter contato com pessoas e esse é o papel principal dos movimentos. Necessidades e demandas podem ser mais facilmente inseridas no contexto político através deles. Políticos e Movimentos deveriam caminhar juntos, entendendo que sem um ou outro, a democracia não pode ser exercida e os interesses da população não são contemplados.

Áfricas – Como combater efetivamente a corrupção na política?

A corrupção está enraizada na sociedade brasileira. Os políticos são um reflexo dessa sociedade. A pessoa que compra um CD pirata, o policial que exige o famoso “cafezinho” para não aplicar uma multa, o “gato” na TV a cabo e tantas outras corrupções estão presentes no cotidiano brasileiro. Educar pelo exemplo poder ser a solução mais efetiva. Pessoas públicas teriam, em tese, a obrigação de demostrar bons exemplos e é o que busco fazer todos os dias. Parlamentares podem iniciar pequenas ações que indiquem a sensibilidade sobre a questão e que garanta aos eleitores o compromisso com o que é correto. Transparência na utilização de verbas de gabinete e não aceitar benefícios desnecessários como auxílio moradia, por exemplo, já garantiriam certa economia de dinheiro público, além de apresentar à sociedade uma nova forma de tratar essas questões. O fim das doações de empresas para campanhas políticas representou um avanço nesse sentido, mas o teto para doações de pessoas físicas ainda é exorbitante. Precisamos de pessoas comprometidas com o fim de privilégios e com uma atuação parlamentar realmente representativa para que projetos que eliminem práticas corruptas, sejam implementados. A corrupção não existe sem um agente público,

logo é preciso critério na hora de escolher quem nos representa. A internet não deveria servir apenas para discussões acaloradas, mas para pesquisar sobre o histórico dos candidatos e avaliar quem, de fato, merece o voto.

Áfricas – O uso de ferramentas alternativas de informação (portais, blogs, vlogs, sítios, rádios on-line etc.) aumenta a cada dia. Como evitar que notícias falsas se propaguem nas redes prejudicando a reputação de pessoas? Você teme ser alvo de fake news?

Por padrão, eu sempre verifico as informações antes de compartilhar. Em tempos de MBL, que comprovadamente possui diversos portais, sites e robôs para propagar informações falsas, é preciso muita cautela. Confirmar se a notícia foi publicada em algum portal conhecido ou de maior circulação pode auxiliar, mas na maior parte do tempo o nome do site original já indica que se trata de notícia falsa. Infelizmente, nós, brasileiros ainda utilizamos as redes sociais com pouquíssima responsabilidade. Não há punição para diversos crimes virtuais e muita dificuldade de alcançar culpados. Mas não tenho medo da internet e nem de haters. Como mencionado, sofri um ataque racista em 2012 e isso me deixou mais forte. Ainda recebo mensagens raivosas e racistas e com certeza serei alvo de fake news. Sendo um pré-candidato a deputado estadual negro, defensor de direitos humanos e lutando por garantia de direitos para as pessoas que mais sofrem, é de se esperar que o sistema se movimente no sentido de evitar que haja continuidade. A vereadora do Rio é a prova, de que nem após a morte estaremos livres disso.

Áfricas – Que mensagem você deixaria para o brasileiro ou brasileira que está preocupado com os rumos da política no nosso país? O Brasil tem jeito?

O Brasil, com toda certeza, tem jeito. Há pessoas preocupadas que se calam, outras se manifestam, outras ignoram e outras decidem acessar o sistema para realizar as transformações necessárias. Precisamos ter comprometimento com nosso futuro e isso implica em arregaçar as mangas e apoiar pessoas que se colocam na linha de frente. É preciso avaliar candidatos, propostas, histórico e principalmente as motivações de cada um. Para resolver a crise de representatividade precisamos eleger pessoas que nos representem e

que não ocupam, atualmente, as esferas de poder, como mulheres, negros, LGBT, povos tradicionais e tantos outros grupos que não têm voz. A mudança que o Brasil precisa só poderá ser feita nas urnas.

Nome:

Organização: Renova Br

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