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“Você é uma preta de alma branca”

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Por JUAN ARIAS |  EL País  | fotos Jovens da favela Vigário Geral, no Rio de Janeiro CORDON PRESS

O maior número de eleitores nas próximas eleições presidenciais no Brasil, 54%, será de negros e pardos. E são eles que sofrem todos os recordes de mortes violentas. A cada 23 minutos é assassinado um jovem negro. 71% dos assassinatos são de pessoas negras. E enquanto a taxa de homicídios de brancos diminuiu 12%, a de negros aumentou 18%, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Diante dessa tragédia vivida pelos descendentes dos escravos, é urgente perguntar aos candidatos a governar o Brasil como pretendem abordar essa guerra aberta contra os negros e como farão para assegurar um futuro de igualdade de oportunidades que lhes devolva a dignidade que lhes foi roubada. Manter o país dividido entre negros e brancos é perpetuar a injustiça engendrada durante os 300 anos de escravidão. Escravidão, a brasileira, que foi uma das últimas a serem abolidas no mundo. Somente em 1888.

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