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Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa: 14 anos de resistência

Não podemos nos esquecer que intolerância religiosa, assim como o racismo, ainda são um dos maiores desafios sociais e políticos do nosso país.

Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa: 14 anos de resistência
Ivanir dos Santos é babalawô e professor-doutor CCIR/CEAP/UFRJ/IFCS
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Precisamos fazer da história um suporte para as nossas memórias e o alimento para as nossas resistências cotidianas. Dito isso, que aqui rememorar que nos últimos 14 anos a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, preenche os espaços e os cenários de lutas em prol da tolerância, da diversidade e da equidade religiosa no Brasil. Pontuado o ano todo, nos 12 meses de cada ano, bem como criando condições possíveis, mesmo entre as pequenas brechas do sistema estrutural da nossa sociedade, para que possamos cada vez mais almejar e promover um estado laico!
 
Organizada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), a Caminhada é atualmente um dos maiores eventos inter-religiosos do Brasil. Sem bandeira partidária e buscando o diálogo em prol da tolerância, o movimento nasceu em 2008 como um ato de protesto contra os terríveis ataques sofridos por adeptos das religiões de matrizes africanas no Morro do Dendê, na Ilha do Governador.
 
Na ocasião, os religiosos e as religiosas foram obrigados pelo “chefe” local, na época Fernandinho Gaburu, a deixar seus lugares sagrados. O caso ganhou repercussão nacional e internacional, mas em si matéria foi apenas uma das inúmeras denúncias dos casos de intolerância religiosa no Brasil vem se entrelaçando a cada vez mais as estruturas raciais.
Destarte, a novidade que ora se expressava no caso ocorrido no Morro do Dendê, em 2008, era a infortunada união entre a religião e o tráfico em prol de uma limpeza étnico religiosa, em que o alvo que estava na mira do tiro da intolerância era o conjunto das religiões e religiosidades de matrizes africanas. E o que se expressaria, ou melhor o que vem se expressando em nossa sociedade é algo que ganha contornos cada vez mais perverso, passados mais de uma década do referidos caso no Morro do Dendê, e até o presente momento os adeptos de religiões de matrizes africanas ainda sofrem cotidianamente casos de intolerância religiosa.
 
Ora, não podemos nos esquecer que intolerância religiosa, assim como o racismo, ainda são um dos maiores desafios sociais e políticos do nosso país. Tal desafio é e vem acompanhado de um crescimento expressivo e significativo de grupos religiosos cristãos que tem ocupado diferentes esferas políticas, sociais e econômicas, e com isto têm propagado os seus discursos de ódio e intolerantes contra os adeptos das religiões de matriz africana.
 
Portanto, ao debruçarmos nossos olhos sobre as evidências das lutas e das ações promovidas pela Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa em prol da liberdade religiosa e da tolerância, abriremos espaços para reflexões a partir das suas experiências históricas sobre os fatos vividos.
 
 
FONTE/CRÉDITOS: O Dia
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