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Nova safra de sambas-enredo traz composições de famosos e críticas à violência contra população negra

Veja a nova safra de sambas-enredo que vai desaguar na Marquês de Sapucaí, em fevereiro de 2022

Nova safra de sambas-enredo traz composições de famosos e críticas à violência contra população negra
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A nova safra de sambas-enredo que vai desaguar na Marquês de Sapucaí, em fevereiro de 2022 — se o panorama epidemiológico permitir —, traz várias composições com “grife” e críticas à violência sofrida pelo povo negro. Dos 12 hinos que as escolas do Grupo Especial levarão para a Avenida, metade tem a assinatura de famosos. Três deles abordam o drama vivido pela população negra, principalmente a favelada.

 

Moacyr Luz saiu vitorioso na Mangueira e também assina o hino da Paraíso do Tuiuti
Moacyr Luz saiu vitorioso na Mangueira e também assina o hino da Paraíso do Tuiuti Foto: Leo Aversa

 

Moacyr Luz e Arlindinho são responsáveis pelos sambas de duas escolas. O primeiro saiu vitorioso na Mangueira, que vai homenagear Cartola, Jamelão e Delegado, e também assina o hino da Paraíso do Tuiuti, que em seu enredo fala da luta, sabedoria e resistência do povo negro. O filho de Arlindo Cruz e o companheiro Igor Leal participam das parcerias responsáveis pelas trilhas que vão embalar os desfiles da São Clemente, que homenageará o ator e humorista Paulo Gustavo, morto por Covid-19 em maio, e a da Grande Rio, que tem Exu como tema.

Arlindinho e o companheiro Igor Leal participam das parcerias responsáveis pelas trilhas da São Clemente e da Grande Rio Foto: divulgação

 

Dudu Nobre é um dos autores do samba da Unidos de Vila Isabel, que vai prestar a justa e tardia homenagem à Martinho da Vila, um dos principais nomes da escola do bairro de Noel Rosa. Carlinhos Brown assina com parceiros o hino da Mocidade Independente de Padre Miguel, que vai exaltar Oxóssi no enredo “Batuque ao Caçador”.

 

Dudu Nobre é um dos autores do samba da Unidos de Vila Isabel, que vai prestar a Martinho da Vila
Dudu Nobre é um dos autores do samba da Unidos de Vila Isabel, que vai prestar a Martinho da Vila Foto: divulgação

 

Chamam atenção também na nova safra de samba aqueles cujos versos denunciam o drama da população negra, refém da violência e da injustiça. O mais contundente é o da Beija-Flor de Nilópolis, que aborda as histórias dos negros e a luta contra o racismo.

A letra fala das vítimas de balas perdidas, durante os confrontos nas favelas no trecho “Foi-se ao açoite, a chibata sucumbiu/ E o meu povo ainda chora pelas balas de fuzil”. “Quantas dores, quantas vidas nós teremos que pagar?”, questiona em outro verso.

O samba do Salgueiro, cujo enredo é “Resistência”, retrata locais do Rio de Janeiro marcados como pontos importantes de resistência cultural preta. E denuncia em sua letra: “Hoje cativeiro é favela/ de herdeiros sentinelas/ da bala que marca, feito chibata”. A Tuiuti mostra que a violência contra o negro domina os espaços nos noticiários policiais: “Meu sangue negro que escorre no jornal/ Inundou um oceano até a Pedra do Sal”, diz letra da composição de Moacyr Luz e parceiros.

— O mundo não aguenta mais conviver com homofóbicos, racistas, genocidas e todos os superlativos de barbárie que vem consumindo a humanidade. O samba-enredo tá aí pra denunciar, ironizar e prever toda a violência — afirma Moacyr Luz.

O processo de escolha dos sambas foi documentado e será apresentado pela TV Globo no Programa “Seleção do Samba", a partir do dia 16. Todos os sambas-enredos estarão disponíveis nas plataformas digitais a partir de 6 de novembro.

Uma disputa estrelada

Num ano de muitos sambas estrelados, na Mocidade o resultado não poderia ter sido diferente. Uma constelação de artistas participou das eliminatórias que reuniram Marcelo D2, Elza Soares, Sandra de Sá, Mariene de Castro, Paulo Cesar Feital, Altay Veloso e o vencedor Carlinhos Brown.

— Pude brincar um pouco, no filme Rio, com essa coisa toda, criando um samba-enredo para uma escola fictícia, a “Sapo Cai”. Foi um barato poético e agora tenho essa honra com o enredo da Mocidade — disse Brown.

Para Hélio Motta,vice-presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) e diretor da Editora Musical Escola de Samba, a presença de famosos nas parcerias é benéfica.

— Eles estão vindo junto com os compositores das próprias escolas e isso é bom para fomentar novos entrantes no mercado de composição. Serve como inspiração — avalia.

Estrelas nas quadras e fora delas

Justiça seja feita. Nenhum desses nomes estrelados podem ser considerados estranhos no ninho. O que chama a atenção é a quantidade, que tem crescido nos últimos anos. Há quem credite isso a mudanças nas regras da competição, que passou a permitir a abertura para compositores de fora e a chance de disputar em mais de uma escola.

— O clima de disputa mudou muito. Acabou aquela história de as escolas não admitirem gente de fora, o que permitiu que eu pudesse, pela primeira vez, assinar samba em mais de uma agremiação e tem também a questão financeira, que é o direito de arena (percentual sobre venda dos ingressos), que dá uma grana bacana — aponta Arlindinho, cuja primeira vitória foi em 2010, na Ilha do Governador, com “Dom Quixote de La Mancha, o cavaleiro dos sonhos impossíveis”. De lá para cá já acumula mais de 15 sambas campeões.

Dudu Nobre se considera cria das quadras de escolas de samba, que frequenta desde criança. Aos 10 anos, passou a integrar a escola mirim Alegria da Passarela, que deu origem à Aprendizes do Salgueiro. Além da Vila Isabel, no Rio, assina para 2022 sambas em duas escolas de São Paulo (Vila Maria e Camisa 12), Espírito Santo (Mocidade Unida da Glória) e no Pará (Rancho não posso me amofinar, de Belém).

—No meu caso, é identificação com o samba-enredo, que começou aos 10 anos — diz o compositor, que contabiliza mais de 40 sambas campeões.

Moacyr Luz também não é nenhum novato no ramo, onde está desde 1997. Em 2019, por exemplo assinou os sambas vencedores na Tuiuti e na Grande Rio.

 

Confira as letras dos sambas-enredos para o carnaval 2022

 

PARAÍSO DO TUIUTI

“KA RÍBA TI YE – Que Nossos Caminhos se Abram”

Autores: Moacyr Luz, Cláudio Russo, Aníbal, Píer, Júlio Alves e Alessandro Falcão

Intérpretes: Celsinho Mody e Nino do Milênio

Olodumarê mandou

Oxalá me conduzir pelo céu da liberdade

Me falou Orunmilá

Vai meu filho semear pelo mundo a humanidade

Nos caminhos de Exú

Me perdendo encontrei nua e crua essa verdade

Que a raiz do preconceito

Nasce do olhar estreito da cruel desigualdade

Sou alabê gungunando o tambor

Trago cantos de dor, de guerra e de paz

Pra ver secar todo pranto Nagô

E gritar por direitos iguais

Meu sangue negro que escorre no jornal

Inundou um oceano até a Pedra do Sal

Eh! Dandara!

A espada e a palavra eh!

Não vai ser escrava

Hei de ver noutras negras minas

Um baobá malê que nasceu do chão

Pra vencer a opressão com a força da melanina

Negro é cultura e saber

Ka Ri Ba Ti Yê caminhos de sol

Por onde Otelos, Estelas e Teresas de Benguela

Se fazem farol

Pra iluminar alafins

E morrer só de rir feito mil Benjamins

E Cantar! Cantar! Cantar...

A beleza retinta que veio de lá

E Cantar! Cantar! Cantar...

Pra Saudar O Meu Orixá

Ogunhê! Okê Arô!

Laroyê! meu pai Kaô

Tem sangue nobre de Mandela e de Zumbi

Nas veias do povo preto do meu Tuiuti

 

BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS

"Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor"

Autores: J. Velloso, Léo do Piso, Beto Nega, Júlio Assis, Manolo e Diego Rosa

Intérprete: Neguinho da Beija-Flor

A nobreza da corte é de Ébano

Tem o mesmo sangue que o seu

Ergue o punho, exige igualdade

Traz de volta o que a história escondeu

Foi-se o açoite, a chibata sucumbiu

Mas você não reconhece o que o negro construiu

Foi-se ao açoite, a chibata sucumbiu

E o meu povo ainda chora pelas balas de fuzil

Quem é sempre revistado é refém da acusação

O racismo mascarado pela falsa abolição

Por um novo nascimento, um levante, um compromisso

Retirando o pensamento da entrada de serviço

Versos para cruz, conceição no altar

Canindé Jesus, ô Clara!!

Nossa gente preta tem feitiço na palavra

Do Brasil acorrentado, ao Brasil que escravizava

E o Brasil escravizava!!

Meu pai Ogum ao lado de Xangô

A espada e a lei por onde a fé luziu

Sob a tradição Nagô

O grêmio do gueto resistiu

Nada menos que respeito, não me venha sufocar

Quantas dores, quantas vidas nós teremos que pagar?

Cada corpo um orixá! Cada pele um atabaque

Arte negra em contra-ataque

Canta Beija Flor! Meu lugar de fala

Chega de aceitar o argumento

Sem senhor e nem senzala, vive um povo soberano

De sangue azul nilopolitano

Mocambo de crioulo: Sou eu! Sou eu!

Tenho a raça que a mordaça não calou

Ergui o meu castelo dos pilares de Cabana

Dinastia Beija Flor!

 

VIRADOURO

“Não há tristeza que possa suportar tanta alegria!”

Autores: Felipe Filósofo, Fabio Borges, Ademir Ribeiro, Devid Gonçalves, Lucas Marques e Porkinho

Intérprete: Zé Paulo Sierra

Amor, escrevi esta carta sincera

Virei noites à sua espera

Por te querer quase enlouqueci

Pintei o rosto de saudade e andei por aí

Segui seu olhar numa luz tão linda

Conduziu meu corpo, ainda

O coração é passageiro do talvez

Alegoria ironizando a lucidez

Senti lirismo, estado de graça

Eu fico assim quando você passa

A avenida ganha cor, perfuma o desejo

Sozinho te ouço se ao longe te vejo

Te procurei nos compassos e pude

Aos pés da cruz agradecer à saúde

Choram cordas da nostalgia

Pra eternidade, um samba nascia

Não perdi a fé, preciso te rever

Fui ao terreiro, clamei: Obaluaê!

Se afastou o mal que nos separou

Já posso sonhar nas bênçãos do tambor

Amanheceu! Num instante já

Os raios de sol foram testemunhar

O desembarque do afeto vindouro

Acordes virão da Viradouro

Tirei a máscara no clima envolvente

Encostei os lábios suavemente

E te beijei na alegria sem fim

Carnaval, te amo, na vida és tudo pra mim

Assinado: um pierrot apaixonado

Que além do infinito o amor se renove

Rio de Janeiro, 5 de março de 1919

 

IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

"Meninos eu vivi... Onde canta o sabiá, Onde cantam Dalva & Lamartine"

Autor: Gabriel Melo

Intérpretes: Preto Jóia, Arthur Franco e Bruno Ribas

Eu ainda era menino

À luz de um nobre destino

O dom de tocar corações

E você era menina, suspirando poesias

Entre versos e estações

Quando a mão do grande professor

Nosso caminho em ouro enfeitou

Fui da ribalta à avenida

Você tão linda, foi cenário de amor (lá lá lá lá lauê)

Fiz da orquestra da folia, manequim das fantasias

Que João noutro tempo rasgou

Pega na saia rendada! Pra ver o que eu vi

Espelho da raça encarnada... Xica E Zumbi!

E descobrir novos Brasis na identidade

Canta Salgueiro, ô, Salve a Mocidade!

Lembro que o imperador

Me levou pra ser rei em sua assíria

Amanheceu e nós dois

Fomos uma só voz no altar da Bahia

Brilhei... No seu palco iluminado

Dancei... Sabiá cantou meu apogeu

Numa derradeira serenata

Sonhei com Dalva e fui morar com Deus

Seu samba nascendo no morro

Ecoa do povo e ressoa no céu

Desperto em seus braços de novo

No mais belo traço da flor no papel

Se a saudade é certeza

Um dia a tristeza será cicatriz

Eterna seja! Amada Imperatriz!

Vem me encantar, volta pro seu lugar!

Seu manto é meu bem querer

E lá do alto o Pai Maior mandou dizer

Quem viveu pra te amar, seguirá com você!

 

VILA ISABEL

"Canta, canta, minha gente! A Vila é de Martinho"

Autores: Evandro Bocão, André Diniz, Dudu Nobre, Professor Wladimir, Marcelo Valença, Leno Dias e Mauro Speranza

Intérprete: Tinga

Ferreira, chega aí

Abre logo uma gelada, vem curtir

A avenida engalanada

Nossa gente emocionada vai reluzir

Os sonhos de Iaiá

Suas glórias e cirandas, resgatar

Não acaba quarta-feira, a saideira

Nem o meu laiaraia

Raízes da roça para o pretos forros

Tanto talento não guarda segredo

O dono do palco, o Zumbi lá do morro

Pela 28, chinelo de dedo

Se a paz em Angola lhe pede socorro

Filho de Teresa, encara sem medo

Seguiu escolas do pai Arraia

Reforma agrária e festa no Arraiá

Em cada verso, mais uma obra prima

Ousar, mudar e fazer sem rima

(Só você pra fazer sem rima)

Profeta, poeta, mestre dos mestres

África em prece, o griô, a referência

O senhor da sapiência, escritor da consciência

E a cadência de andar, de viver e sambar

Tão bom cantarolar por que o mundo renasceu

Me abraçar com esse povo todo seu

Eu vou junto da família

Do Pinduca à alegria pra brindar

Modéstia à parte, o Martinho é da Vila

Partideiro, partideiro ô

Nossa Vila Isabel, brilha mais do que o Sol

Canta negro rei, deixa a tristeza pra lá

Canta forte minha Vila, a vida vai melhorar.

 

SALGUEIRO

“Resistência”

Autores: Demá Chagas, Pedrinho da Flor, Leonardo Gallo,

Zeca do Cavaco, Gladiador, Renato Galante

Intérpretes: Emerson Dias e Quinho do Salgueiro

Um dia meu irmão de cor

Chorou por uma falsa liberdade

Kao cabecilê sou de Xangô

Punho erguido pela igualdade

Hoje cativeiro é favela

De herdeiros sentinelas

Da bala que marca, feito chibata

Vermelho na pelo dos meus heróis

Lutaram por nós, contra a mordaça

Ê mãe preta, mãe baiana

Desce o morro pra fazer história

Me formei na academia

Bacharel em harmonia

Eis aqui o meu quilombo, escola

Ê galanga é… Rei Zumbi Obá

Preta aqui virou Rainha Xica

Sou a voz que vem do gueto

Resistência no tambor

Pilão preto velho eu sou

No Rio batuqueiro

Macumba o ano inteiro

Não nego meu valor, axé

Gingado de malandro

Kikomba e Capoeira

Caxambu e jongo, fé na rezadeira

Tempero de iaiá, não tenho mais sinhô

E nunca mais sinhá

Sambo pra resistir

Semba meus ancestrais

Sambra pelos carnavais

Torrão amado o lugar onde eu nasci

O povo me chama assim

Salgueiro... Salgueiro...

O amor que bate no peito da gente

Sabiá me ensinou: Sou diferente

 

MANGUEIRA

“Angenor, José & Laurindo”

Autores: Moacyr Luz, Bruno Souza, Leandro Almeida e Pedro Terra

Intérprete: Marquinho Art'Samba

Mangueira... Teu cenário é poesia

Liberdade e autonomia

Que o negro conquistou (Ôôô)

Mangueira... A alvorada anuncia

O legado a dinastia

A sabedoria se chama Angenor

Nesse solo sagrado o samba ecoou

Tem cantor, mestre-sala e compositor

Lustrando sapato, vendendo jornal

Chapéu de pedreiro no mesmo quintal

Três iluminados reis do Carnaval

As rosas não falam, mas são de Mangueira

Eu vi seu Laurindo beijando a bandeira

José Clementino na flor da idade

O sol colorindo a minha saudade

É verde e rosa a inspiração

A devoção por toda nossa raiz

Quem traz a cor dessa nação

Sabe que o morro é um país

A voz do meu terreiro imortaliza o samba

E quem guardou com amor o nosso pavilhão

Tem aos seus pés a nossa gratidão

Só sei que Mangueira

É um céu estrelado

Não é brincadeira

Sou apaixonado

A Estação Primeira

Relembra o Passado

Valei-me Cartola, Jamelão e Delegado

 

SÃO CLEMENTE

“Minha vida é uma peça!”

Autores: : Cláudio Filé, James Bernardes, Arlindinho, Braguinha, Colaço, Marcus Lopes, Caio Tinguinha, Danilo Gustavinho, Kaíque Vinícius e Igor Leal.

Intérpretes: Leozinho Nunes e Maninho

O céu me sorriu

A irreverência me chamou, eu vou

Imortal é nossa relação

A benção lhe dou, num gesto de amor

Pra você vestir

Preto e amarelo e sorrir

Atuar com Otelo e Dercy

Pra plateia vibrar, gargalhar, delirar

Na próxima cena, no primeiro plano

Nem só Marcelina, nem só Juliano

Milhões de herdeiros

Anunciando a mãe de todo brasileiro

Dona Hermínia mandou avisou que pode

Brincar na avenida e dizer no pé

Mulher com mulher tudo bem

Homem com homem também

O negócio é amar alguém

De”Thales” o amor venceu

O sentimento mais fiel

Semente que gerou Romeu

Semente que gerou Gael

Exemplo de atitude pra uma nova geração

Corrente de amizade sempre em alta tensão

Vai que cola esse meu despedaçado coração

Ah, coração!

Sou eu a primeira plateia

Divina “Idea”, dei luz ao seu brilho

A nossa vida é uma peça

Graças a você meu filho

São clementes, aqueles que amam que cuidam que sentem

Mostrando a cara da nossa gente

“Rir é Resistir Seguir em Frente”

Paulo Gustavo pra sempre!

 

MOCIDADE INDEPENDENTE

“Batuque ao Caçador”

Autores: Carlinhos Brown, Diego Nicolau. Richard Valença. Orlando Ambrosio, Gigi da Estiva, Nattan Lopes, J. J. Santos e Cabeça do Ajax

Intérprete: Wander Pires

Okê Arô Ofá da mira certeira

Dono da mata, Okê Okê, Mutalambô

Seu ajeum já preparei na quinta-feira

No fundamento, a batida incorporou

Samborê pemba folha de Jurema

A proteção de Ogboju Odé

Pai Oxalá lhe deu seu diadema

Quem rege meu ori governa minha fé

Nos Idilês a ancestralidade

O Alaketu no Egbé da Mocidade

Oxóssi é caçador de uma flecha só

Herdeiro de Iemanjá , irmão De Ogum (Exú)

Aquele que na cobra dá um nó

Aquele apaixonado por Oxum

Ibualama o mar atravessou

No Gantois virou São Jorge Guardião

Um Rio inteiro em teu nome meu senhor

Quem é de Oxóssi é de São Sebastião

Ô Juremê, ô Juremá

Caboclo lá da Jurema é cacique nesse congá

Ô Juremê, ô Juremá

Mandinga de Tia Chica

Fez a caixa guerrear

Inverteu meu tambor, foi o toque de Coé

Som do couro, pele preta, de Jorjão, a agueré

Fez do aguidavi, baqueta da nossa gente

Pra evocar nesse terreiro toda alma independente

Arerê Arerê Komorode

Komorode Arole Komorode

Arerê Arerê Komorode

Todo ogã da Mocidade é cria de Mestre André

 

UNIDOS DA TIJUCA

“Waranã – a reexistência vermelha”

Autores: Anderson Benson, Eduardo Medrado e Kleber Rodrigues

Intérprete: Wantuir

Alto Céu

De Tupana E Yurupari

Duas forças que vão fluir

A energia de Monã

Que equilibra o bem e o mal

Um lugar onde as pedras podiam falar

Onde irmãos desfrutavam

A beleza singular

Anhyã, bela e habilidosa

Mas a cobra ardilosa usa a flor pra lhe tocar

E nasce Kahu’ê o curumim

De olhos alegres...Sempre assim

Presença tão breve

A ingenuidade sucumbe à maldade

Renasce Kahu’ê o curumim

Seus olhos alegres não têm fim

Pois o bem é maior, vai reexistir

Vida ligeira, passageira

Plantada no solo da pura emoção

De pele vermelha, Os frutos de uma nação

Vida inocente, vira semente

E ao som de uma ave a cantar

Floresce imponente o povo do guaraná

E se a cobiça e o fogo chegarem na aldeia

Deixa a força Mawé ressurgir

E sorrir quando O sol reluzir

Nesse dia eles vão temer

E o amor vai vencer

Erê, essa mata é sua

Erê, vem provar doce mel

Waranã da Tijuca

Vem brincar no Borel

 

PORTELA

“Igi Osè – Baobá”

Autores:Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Rafael Gigante, Bira, Edmar Jr, Paulo Borges & André do Posto 7.

Intérprete: Gilsinho

Prepara o terreiro, separa a Mucua

Apaoká baixou no xirê

Em nosso celeiro a gente cultua

Do mesmo preceito e saber

Raiz imponente da “Primeira Semente”

Nós temos muito em comum

O Elo Sagrado de Ayê e Orun

Casa pra se respeitar: Meu Baobá!

Obatalá Colofé

(Tem) Batucada no Arê

Pra minha gente de fé Ayeraye

Nessa mironga tem mão de Ofá

Põe aluá no coité e dandá

Saluba, Mamãe! Fiz do meu samba curimba

Mata a minha sede de axé

Faz do meu Igi Osè, moringa

Quem tenta acorrentar um sentimento

“Esquece” que ser livre é fundamento

Matiz suburbano, herança de preto

Coragem no Medo!

Meu povo é resistência

Feito um “Nó Na Madeira” do cajado de Oxalá

Força africana vem nos orgulhar

Azul e “Banto”, Aguerê e Alujá

Pra poeira levantar, de crioula é meu tambor

Iluayê na ginga do meu lugar

Portela é Baobá no gongá do meu amor

(Portela é Baobá, tem gira pro meu amor)

 

GRANDE RIO

"Fala Majeté! Sete Chaves de Exú"

Autores: Gustavo Clarão, Arlindinho Cruz, Jr. Fragga, Claudio Mattos, Thiago Meiners e Igor Leal

Intérprete: Evandro Mallandro

- Boa noite, moça; Boa noite, moço...

Aqui na terra é o nosso templo de fé

“Fala, Majeté!”

Faúsca da cabaça de Igbá

Na gira...bombogira, aluvaiá!

Num mar de dendê... caboclo, andarilho, mensageiro

Das mãos que riscam pemba no terreiro

Renasce palmares, Zumbi Agbá!

Exu! O Ifá nas entrelinhas dos Odus

Preceitos, fundamentos, olobé

Prepara o padê pro meu axé

Exu Caveira, Sete Saias, Catacumba

É no toque da macumba, saravá, Alafiá!

Seu Zé, malandro da encruzilhada

Padilha da saia rodada... ê mojubá!

Sou capa preta, tiriri, sou Tranca Rua

Amei o sol, Amei a lua, Marabô, Alafiá!

Eu sou do carteado e da quebrada

Sou do fogo e gargalhada... Ê Mojubá!

Ô luar, ô luar... catiço reinando na segunda-feira

Ô luar...dobra o surdo de terceira

Pra saudar os guardiões da favela

Eu sou da lira e meu bloco é sentinela

Laoryê, Laroyê, Laroyê!

É poesia na escola e no sertão

A voz do povo, profeta das ruas

Tantas estamiras desse chão

Laoryê, Laroyê, Laroyê!

As sete chaves vêm abrir meu caminhar

À meia-noite ou no sol do alvorecer... pra confirmar

Adakê Exu, Exu é Odará!

Ê bara ô, Elegbará!

Lá na encruza, a esperança acendeu

Firmei o ponto, Grande Rio sou eu!

Adakê Exu, Exu ê Odará!

Ê bara ô, Elegbará!

Lá na encruza , onde a flor nasceu raiz

Eu levo fé nesse povo que diz

FONTE/CRÉDITOS: Extra
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