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‘Pra ficar claro, escureci’: artistas negros expõem obras de arte em antiga senzala de Fortaleza

A exposição pode ser visitada de terça a sábado, na Casa Barão de Camocim, no Centro da capital.

‘Pra ficar claro, escureci’: artistas negros expõem obras de arte em antiga senzala de Fortaleza
Felipe Heloi, Nycolas Di e Tamires Ferreira, três dos artistas responsáveis pela exposição. — Foto: Ionara Sena/Reprodução
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Antiga senzala no prédio hoje conhecido como Casa Barão de Camocim, em Fortaleza, recebe exposição com obras de artistas negros.

Quatro artistas negros de Fortaleza resolveram expor obras de arte em um local que já foi uma senzala. A exposição, que começou nesta quinta-feira (7), fica na Casa Barão de Camocim, espaço cultural no Centro da capital. “Pra ficar claro, escureci” traz produções que abordam a força e presença da negritude no Ceará.

“Nossa exposição não é apenas de obras visuais, mas também traz desconforto sensorial. As pessoas são convidadas a sair do salão para ir ao porão, espaço desconfortável, quente, que traz um sufocamento. Isso é importante porque a romantização da história colonial permanece intacta”, afirma a artista plástica Tamires Ferreira.
Germiniano Maia, natural de Aracati, recebeu o título de ‘Barão de Camocim’ da família imperial, por volta de 1880, segundo o Mapa Cultural da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult). Este foi o único título de barão outorgado pela Coroa portuguesa. Maia construiu a casa que sedia a exposição.

“A escolha do local foi muito estratégica porque a Casa do Barão de Camocim reflete muito a arquitetura colonial, que traz uma memória muito dolorosa e, ao mesmo tempo, muito contraditória. Quando a gente faz essa exposição e puxa para esse espaço que é uma senzala, falamos de cultura, de história, de um espaço de esquecimento, porque, até então, antes da exposição, o espaço estava fechado”, complementa Tamires.

A exposição, que tem apoio da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), segue aberta à visitação até o dia 27 de outubro, de terça a sexta, de 10h às 17h, aos sábados, de 9h às 16h e possui intérprete de libras.

Ressignificação do espaço

Felipe Heloi, ilustrador, quadrinista e um dos artistas responsáveis pela exposição, reforça a importância da perspectiva de expor obras de arte feitas por artistas negros em um local anteriormente utilizado para tortura e escravidão.

“É um tema delicado de tocar. A gente não queria que fosse mais uma história, uma obra da negritude para falar de racismo. Não era sobre isso. A gente não queria explorar essa dor, mas precisávamos explorar o passado”, destaca o ilustrador.
“Nós começamos a nos guiar por esse passo para tentar aprofundar o debate. ‘Já falamos sobre representatividade, e agora? Vamos fazer o quê?’. O próximo passo foi ocupar. Vamos mostrar que existem negros no Ceará, falar sobre isso, fazer essa negritude chegar em todos os lugares”, complementa Heloi.


Racismo em Fortaleza

Em setembro, dois casos de racismo foram denunciados pelas vítimas na capital cearense. No primeiro, uma delegada alega que foi impedida de entrar em uma loja de shopping da capital.

No segundo caso, uma adolescente — filha de um defensor público — foi confundida com uma pedinte e barrada ao entrar em uma padaria. Ambos os casos envolveram seguranças dos estabelecimentos.

Com isto, a organização da exposição também cita a pesquisa do Atlas da Violência 2020, divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo aponta que 75,7% das vítimas de homicídios, no Brasil, são jovens negros, e o Ceará é o segundo estado com maior taxa de homicídios.

FONTE/CRÉDITOS: Por Samuel Pinusa, g1 CE
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