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Lançamento do livro Ìwé Àlákóbèrè fún Omodé Nípa Àsà Yorùbá

O Brasil recebeu mais de 5 milhões de africanos durante o tráfico transatlântico. O escravismo e o racismo entranhados nas instituições e no imaginário nacional após a Lei Áurea, utilizaram como uma das estratégias de dominação a negação de valor à cultura, aos princípios civilizatórios e aos idiomas trazidos nos corpos e nas mentes dos africanos escravizados

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A língua, parte indissociável do corpo, é um dos principais elementos da identidade de um grupo. Quando foi negado ao escravizado “falar” sua língua, tentaram negar-lhe toda sua cultura. Para os povos tradicionais de matriz africana a palavra é uma força vital e fundamental, pois é o enunciado oral, é uma exteriorização de forças vitais e o resultado da integração de forças vivificantes das pessoas. Portanto – tudo precisa ser pronunciado, pois a palavra, ao ser dita, transmite energia, poder e dinâmica, repletas de metáforas e símbolos que nenhum papel ou gravador dará conta de sistematizar.

Mas nossos ancestrais resistiram e desenvolveram estratégias próprias para a preservação da sua humanidade, sua cultura e seu idioma, que estão vivos ainda hoje nas comunidades tradicionais de matriz africana constituídas de norte a sul deste país.

A parceria entre o Centro Cultural Orunmilá e a Àgò Lònà Associação Cultural lança o primeiro volume da série Ìwé Àlákóbèrè fún Omodé Nípa Àsà Yorùbá – Livro Iniciador para Crianças sobre a Tradição Iorubá.

Ìwé Àlákóbèrè fún Omodé Nípa Àsà Yorùbá – Livro Iniciador para Crianças sobre a Tradição Iorubá visa construir momentos de ensino e aprendizagem sobre a língua e cultura yorùbáentre as famílias dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana e demais interessadas(os) pela escrita e oralidade. Na publicação há um link com as gravações das sonoridades para todas(os) escutarem.

Ressaltamos que não buscamos aqui realizar traduções literais da língua yorùbá, mas sim, tentar decodificar em palavras, desenhos e sons os significados delas para uso diário.

Para 2019 está previsto o lançamento dos volumes 2 e 3.

“A escrita é uma coisa, e o saber, outra. A escrita é a fotografia do saber, mas não o saber em si. O saber é uma luz que existe no homem. A herança de tudo aquilo que nossos ancestrais vieram a conhecer e que se encontra latente em tudo o que nos transmitiram, assim como o baobá já existe em potencial em sua semente”. (Tierno Bokar)

Autores:

Paulo César Pereira de Oliveira é Bàbá Tolomi Ifatide Ifamoroti. Em Ribeirão Preto – SP, desde 1983, fundador do Centro Cultural Orunmilá. Possuí formação em Língua e Cultura Yorùbá, pelo Ibi I Fún Èdè Yorùbá, University of Ibadan, Nigéria.

José Pedro da Silva Neto (Pedro Neto) é Inátóbí, filho de Olasedele (Sandra Regina da Silva), iniciado no Ilé Àse Pàlepà Màrìwò Sessu – SP pela Ìyá Ìláyèwomi Olágbode, É cientista social, produtor cultural, documentarista e artista plástico.

 

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