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A camisa da seleção brasileira se tornou recentemente palco de uma intensa disputa de narrativas nas redes sociais. Em uma ação mobilizada pelo deputado André Janones, apoiadores do governo passaram a utilizar o uniforme verde e amarelo associado ao gesto da letra L, rompendo com o monopólio simbólico exercido pelo bolsonarismo e descentralizando o sentido dos símbolos nacionais na internet.
Publicada originalmente por Geórgia Freitas no portal Outras Palavras, a análise aponta que a iniciativa ocorreu em outubro de 2026. O objetivo central foi provocar um deslocamento de sentidos, fazendo com que uma mesma imagem pudesse dialogar com espectros políticos opostos e desafiar leituras automáticas associadas à direita.
Teóricos da análise do discurso, como Michel Pêcheux e Eni Orlandi, sustentam que os signos não possuem significados fixos. Eles ganham novos contornos a partir das relações que estabelecem com os contextos e acontecimentos. No caso da mobilização digital, a combinação entre a veste tradicional e o gesto corporal tensionou estruturas simbólicas consolidadas.
A pesquisadora aponta ainda para o conceito de multimodalidade, fundamentado por Gunther Kress e Theo Van Leeuwen. Esse campo examina como diferentes recursos semióticos, incluindo enquadramentos e elementos visuais, participam ativamente da comunicação e da construção de identidades sociais.
Por fim, o episódio reforça que os símbolos nacionais continuam em disputa permanente no ambiente digital. A estratégia demonstra que os algoritmos e as imagens não pertencem de forma definitiva a nenhum grupo político específico, renovando o debate sobre pertencimento e conflito social no país.
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