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Uma ação de empregabilidade voltada para refugiados e migrantes reuniu 136 participantes de 23 nacionalidades no centro de São Paulo neste sábado (17). O evento buscou facilitar a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho brasileiro por meio de capacitação e apoio institucional.
Entre os atendidos estavam o venezuelano Victor Arce, de 65 anos, e sua esposa Morelba Aquilar, de 64 anos. No Brasil há um ano com a filha, o casal busca uma oportunidade profissional enquanto comercializa peças de artesanato. A mudança de país ocorreu devido à necessidade de tratamento de saúde para Morelba, que obteve atendimento na rede pública local.
Intitulado Conexões que Transformam, o encontro ocorreu na sede da Aliança Brasil Cidadã. A iniciativa foi organizada pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation, oferecendo oficinas sobre empreendedorismo, tradução e revisão de currículos, além de orientação documental.
Segundo Maria Helena Santuche, líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes do Grupo Mulheres do Brasil, cerca de 70% dos inscritos na iniciativa estavam desempregados. A maioria demonstrou interesse em abrir o próprio negócio por necessidade de subsistência, exigindo orientação estratégica adequada.
Flavio Simonato, diretor de Pessoas da Konecta Brasil, ressaltou que o objetivo central foi adequar documentos e preparar currículos para o mercado nacional. Ele destacou que a programação incluiu palestras orientativas, além da distribuição de cestas básicas e brinquedos para as famílias.
A cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil, Eliane Franco Figueiredo, informou que a maioria dos participantes é originária da Venezuela, Congo e Haiti. Ela pontuou que existem profissionais com formação acadêmica superior, como médicos, que enfrentam demoras na validação de diplomas e buscam alternativas de capacitação profissional.
Desafios de integração e mercado de trabalho
Dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) indicam que mais de um milhão de pessoas em situação de proteção internacional vivem atualmente no Brasil. Vivian Holzhacker, associada de Soluções Duradouras da entidade, explicou que a barreira do idioma e a falta de rede de apoio agravam a urgência por trabalho.
A representante da Acnur enfatizou também a dificuldade com a documentação original, já que muitos deixam seus países de origem em situações de crise emergencial. Com isso, os mutirões tornam-se essenciais para adaptar os currículos aos padrões brasileiros e oferecer treinamento prático.
Canais de apoio e capacitação contínua
Para quem não compareceu ao evento, a Acnur disponibiliza a plataforma digital Help, que permite consultar entidades de apoio divididas por estado e município. Além disso, a Aliança Brasil Cidadã mantém inscrições abertas ao longo de todo o ano para cursos gratuitos em áreas como informática, inteligência artificial e estética.
Interessados também podem buscar assistência direta pelas redes sociais do Grupo Mulheres do Brasil, da Konecta Brasil ou por e-mail institucional das organizações parceiras.
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