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Os massacres no campo brasileiro, ocorridos há quase quarenta anos, voltaram ao centro do debate público durante um seminário realizado em Viamão, no Rio Grande do Sul. Sobreviventes de episódios violentos na década de 1980 romperam décadas de silêncio para denunciar a omissão do Estado e exigir justiça. O evento reuniu pesquisadores, representantes da CPT e vítimas para confrontar a impunidade que ainda marca a história das lutas agrárias no país.

Marta Aparecida Serpa, hoje professora, relembrou o trauma vivido no acampamento de Salto do Jacuí, quando crianças foram submetidas a uma pulverização aérea de agrotóxicos. A memória, guardada por anos, agora ganha contornos institucionais através de uma parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a UnB e a CPT. O objetivo é transformar relatos pessoais em documentos que confrontem a inércia estatal.

Episódios emblemáticos em foco

O encontro destacou dois casos que simbolizam a resistência camponesa. O primeiro foi o massacre no Trevo de Sarandi, em 1987, marcado pelo atropelamento intencional de trabalhadores que bloqueavam a BR-386. O segundo ocorreu em 1989, na Fazenda Santa Elmira, onde famílias sofreram um despejo violento ordenado pelo governo estadual da época, resultando em centenas de feridos.

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Pesquisadores apontam que a busca por reparação enfrenta barreiras burocráticas severas. Luiz Ribas, da UnB, destacou a opacidade dos arquivos públicos, onde documentos sobre o ataque aéreo em Salto do Jacuí simplesmente desapareceram. Essa falta de registros é interpretada pelos especialistas como uma forma deliberada de negação da história.

Memória e resistência

Para o padre Arnildo Afonso Fritzen, a preservação da memória é um ato político necessário. Ele defende a criação de monumentos que eternizem a luta dos mártires, garantindo que as novas gerações compreendam a origem dos direitos conquistados. O seminário também propôs a construção de marcos simbólicos na região de Sarandi, onde a militante Roseli Nunes foi assassinada.

Ao encerrar o evento, a professora Marta Serpa alertou para a importância de proteger o conhecimento crítico. Em um cenário de avanço do conservadorismo, ela ressaltou que o financiamento das universidades públicas é essencial para que episódios de violência no campo não sejam apagados da história nacional.

FONTE/CRÉDITOS: Washington Andrade