GOOGLE Não perca nossas próximas notícias

Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰

A intolerância religiosa voltou a ocupar o centro do debate político e social brasileiro às vésperas das eleições, impulsionada por episódios recentes de vandalismo contra símbolos sagrados. Um dos casos ocorreu no dia 22 de setembro, quando uma imagem de Santa Dulce dos Pobres foi destruída dentro da Igreja Matriz da Paróquia Jesus Cristo Ressuscitado, em Plataforma, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. O ato gerou forte comoção e recolocou em evidência uma pergunta incômoda: o Brasil está conseguindo conviver com a diversidade de crenças em seu território?

Quando um símbolo religioso é atacado, a discussão transcende a danificação de um objeto material. Especialistas e defensores dos direitos humanos apontam que a agressão atinge diretamente a comunidade de fiéis e a própria liberdade de professar uma fé. Em um país constitucionalmente laico, o episódio serve como termômetro para medir a dificuldade social em respeitar as convicções alheias, sejam elas de matriz católica, evangélica ou de religiões de matriz africana.

A voz da experiência na defesa da fé

Nesse cenário, a trajetória do professor, ativista e babalawô Ivanir dos Santos ganha relevância fundamental. Com décadas de atuação na defesa da liberdade religiosa, ele argumenta que a luta contra o preconceito não deve ser restrita a um único credo. Para o ativista, a destruição de uma imagem católica, o ataque a um terreiro ou a perseguição a qualquer tradição religiosa refletem diretamente sobre o tipo de sociedade e de Estado que está sendo construído no Brasil.

Publicidade

Leia Também:

A hostilidade, conforme apontam observadores da área, não se limita apenas a danos físicos ao patrimônio sagrado. Ela se manifesta de diversas formas no cotidiano:

  • Tentativas sistemáticas de desqualificar crenças alheias;
  • Perseguição velada ou aberta a comunidades religiosas específicas;
  • Transformação da fé em instrumento de disputa e hostilidade política;
  • Discursos de ódio disseminados em redes sociais e rodas de conversa.

O papel do Estado laico e os limites da expressão

À medida que o período eleitoral se intensifica, o uso da religião como palanque político traz à tona um dilema jurídico e social. Afinal, em um Estado laico, qual é o limite real entre a liberdade de expressão e a preservação da liberdade religiosa de terceiros? O poder público tem sido cobrado a adotar posturas mais firmes diante do crescimento da intolerância.

Para lideranças sociais como Ivanir dos Santos, a discussão contemporânea exige um entendimento mais amplo: trata-se do direito inalienável de cada cidadão brasileiro acreditar, cultuar e expressar sua espiritualidade sem que isso o transforme em alvo de hostilidades. Em meio a tantas crenças e tradições, o desafio histórico de aprender a respeitar genuinamente a fé do outro permanece como uma das maiores pendências da democracia brasileira.