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O Brasil digitalizou a vida cotidiana sem superar uma de suas desigualdades mais antigas: o acesso desigual à educação. Dados divulgados pelo Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) 2024 revelam que 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais. Deste grupo, 58% são pretos ou pardos e 76% vivem em famílias com renda de até dois salários mínimos. O levantamento coloca em pauta como a população que historicamente teve direitos educacionais negados agora depende de aplicativos e plataformas digitais para exercer a cidadania.
A desigualdade educacional também entrou no celular
A pesquisa, criada em 2001 pela Ação Educativa e pelo Instituto Paulo Montenegro, incorporou pela primeira vez uma avaliação em ambiente digital. Os resultados demonstram que estar conectado não significa estar incluído. Embora 95% das pessoas no nível elementar de alfabetismo tenham acessado a internet recentemente, faltou autonomia para realizar tarefas cotidianas:
- Apenas 17% concluíram com sucesso uma inscrição por formulário online.
- Somente 13% conseguiram finalizar todas as etapas de uma compra pela internet.
- Apenas 4% cumpriram integralmente a atividade de escolher um filme seguindo critérios e explicar a decisão.
Essas dificuldades transformam barreiras educacionais em novos obstáculos sociais, dificultando o acesso a empregos, movimentação de contas bancárias e solicitação de benefícios públicos.
O peso da raça, renda e território
O recorte racial e social expõe uma ferida estrutural. Pretos, pardos e famílias de baixa renda sofrem o impacto mais severo da falta de letramento adequado. Além disso, a exclusão também tem CEP: no Nordeste, 42% da população pesquisada está em situação de analfabetismo funcional, e mais da metade reside em municípios de até 100 mil habitantes. A infraestrutura de conexão, portanto, precisa vir acompanhada de condições reais de escolarização e alfabetismo.
O fator geracional e o lançamento do livro comemorativo
O problema atinge fortemente as gerações mais velhas, com 65% dos analfabetos funcionais tendo entre 40 e 64 anos. Para debater essas transformações, a Diálogos Editora lança o livro “Inaf 25 anos: alfabetismo no Brasil em tempos digitais”, organizado por Heloisa Trenche Belusci e Roberto Catelli Jr. A obra reúne especialistas para analisar duas décadas e meia de dados e aponta a urgência de políticas consistentes de Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Serviço do lançamento
O evento de lançamento da publicação ocorre no dia 21 de outubro, das 19h às 21h, no auditório da Ação Educativa, em São Paulo. Aberto ao público e gratuito, o evento contará com debates sobre letramento digital, desigualdades e os rumos da educação no país.
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