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Mais de uma década depois de seu último lançamento de disco, há exatos 13 anos, o artista pernambucano Thera Blue’ lança, aos 56 anos de idade, um álbum musical nas plataformas digitais. A nova obra do cantor e compositor, natural de Caruaru, chama-se “Belê”. Com 11 canções autorais, o disco é uma realização coletiva entre Thera, Carmen Farias e Ana Paula Marinho, ambas artistas caruaruenses, que assumem em parceria a maioria das composições. A produção é independente e pernambucana, com raízes da região Agreste e do interior do estado, reunindo narrativas de identidade, gênero e pertencimento local.
A voz de Thera Blue’ compõe todas as canções. Já a da compositora Carmem Farias aparece uma única vez como introdução de uma música, por meio de uma mensagem do celular. Além disso, Thera assina a produção executiva do álbum junto com a percussionista e compositora Ana Paula Marinho, criada também no município de Altinho (Agreste).
“Thera Blue’ e seus 40 anos de carreira artística é o que faz esse ‘disco voador’, e o interessante é saber que se inverter os papéis o novo é o velho, o velho é o novo, porque o novo carrega a carga do velho, porque o velho volta a ser criança de novo”, declara o caruaruense.
A obra é dedicada ao baiano Isaac Maia (em memória), que pensou e sugeriu o título “Belê” ainda no ano de 2018. “Esse amigo-irmão me deu esse nome de presente. Dedico o disco a essa estrela Isaac (Maia)”, revela.
O lançamento tem uma relação direta com o tempo e a natureza das coisas. “Apresentar ‘Belê’ é saber que um disco é esse risco, com suas mais puras verdades, cantadas do jeito que ele é, com a carga do homem velho, que já sabe que é imortal, com o fogo novo que pensa queimar e duvida de sua própria moral”, afirma o agrestino.
Com quatro décadas de carreira musical solo, Thera Blue’ se reconhece na música pop justamente ao lançar “Belê”, quarto álbum da sua discografia. “Como contraste uma sonoridade propositadamente juvenil, rock(s), banda cê caetano, ou gil ‘ouço’ cantando, segredos de liquidificador… se for faixa a faixa há muito o que se comentar, porque a gente escuta de tudo aqui em Pernambuco, de ciranda de maluco a Bach, solto e virado, o triângulo do cantador da Feira de Caruaru é o nosso guia. Pois bem, depois dessa viagem toda, resta dizer que é um álbum pop, uma abreviação do popular”, explica.
A direção musical de “Belê” é assinada por Vertin, radicado em Arcoverde/PE, no Sertão, e natural de Juazeiro/BA, ambos municípios do interior de cada estado. Vale dizer também que uma das composições do álbum tem a autoria do mineiro Ronaldo Lamppi, músico, ator, cantor, compositor, poeta e artista circense. A capa, a identidade visual e as artes do disco levam a assinatura de Sérgio Almeida, com a fotografia de Zanderson Hernandez. A ficha técnica é formada por uma equipe de profissionais de Pernambuco em sua maioria.
As canções estão nessa sequência, sendo distribuídas a partir de um conceito artístico: “Pessoa Bonita” (Carmen Farias e Thera Blue’); “Seu Nome” (Carmen Farias e Thera Blue’)”; “Ser Igual É o Que Deveria Ser Esquisito” (Carmen Farias e Thera Blue’); “Desafeto” (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’); “Até Quando Eu Quiser” (Ronaldo Lamppi); “Melodias das Raízes” (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’); “Belê” (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’); “Falsas Notícias” (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’); “Lenga Lenga” (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’); “Você Não Gosta de Mim” (Carmen Farias e Thera Blue’); e “Se Não Der pra Você” (Ana Paula Marinho e Thera Blue’).
“Cada linha é pensada por essa geração de seres que se encontraram em outras vidas, e já tão perto de completar meio século de existência é que essas figuras se rememoram e se transformam em versos musicais. Logo em 2020, quando o mundo parecia ter suspendido seus movimentos. Não havia, a princípio, um disco à vista. Havia poemas, melodias, instrumentos, conversas e uma vontade de continuar criando enquanto tudo ao redor estava provisoriamente interrompido. As canções chegaram nesses encontros, uma a uma, até que perceberam — antes de nós — que formavam um corpo”, lembra Thera’.
É importante dizer que as letras das músicas surgiram, em sua maioria, por meio de poemas escritos por Carmen Farias, em 2020. As poesias foram transformadas em sons, musicalidade e harmonias.
“Algumas coisas começam sem anunciar aquilo que serão. Os textos existiam primeiro como palavra escrita e que, no encontro com Thera (Blue’) e Ana Paula (Marinho), ganharam outra duração, respiração e matéria. O que era verso passou a ter melodia e o que estava contido na página encontrou espaço no som. Em algumas canções, a música parece ter descoberto caminhos que o poema ainda não conhecia. Em outras, é como se apenas revelasse aquilo que já estava escondido entre as palavras”, conta a pernambucana Carmen Farias.
O álbum “Belê” chega ao mundo depois de seis anos de encontros, reencontros, compartilhamentos e celebrações. Carmen Farias acredita que o disco é mais do que um conjunto de músicas compostas ao longo dos anos. Para ela, é um registro de uma transformação. Isso porque os poemas deixaram de pertencer somente ao papel, as ideias mudaram de forma ao serem compartilhadas, além de que três sensibilidades contribuíram para uma linguagem comum, ao invés de procurar uma unidade artificial.
“Esse é o percurso mais preciso para contar como este disco nasce: de coisas que não tinham obrigação de virar disco e, ainda assim, se encontraram. De poemas que aceitaram mudar de forma. De músicas que nasceram de uma amizade e de um processo compartilhado. E de um tempo específico — 2020 — que não aparece apenas como contexto histórico, mas como o ponto de onde essas canções começaram a respirar”, diz Carmen.
Com diversas perspectivas e concepções do universo artístico, a obra caminha entre realidades de vida, cotidiano, amor, relações e espiritualidade. “Belê” está entre o íntimo e o coletivo, o humano e o mundo, olhando ao mesmo tempo para a natureza que nos cerca e que nos habita, fortalecendo também o gesto de cuidado, respeito e escuta.
“Há nas canções diferentes estados de espírito, imagens, personagens, lembranças e invenções. Elas não obedecem a uma única paisagem. Talvez justamente por isso o disco encontre sua unidade menos no assunto do que na maneira de olhar: há uma atenção particular para aquilo que costuma passar depressa — uma palavra, um gesto, uma ausência, uma cena pequena e uma lembrança que insiste. ‘Belê’ é um disco-manifesto sobre ser e estar no mundo, com tudo que isto implica, é um álbum que celebra aquilo que é diverso, imperfeito, estranho, desejante e vivo”, destaca a agrestina Carmen Farias.
O CD de estreia de Thera Blue’ é o “Ser Tão Psicodélico” (2002), selecionado na ocasião para “A Nova Safra da MPB”, do Sesc São Paulo, conquistando espaços e reconhecimentos. Seguiu adiante com o disco “Thera Blue” (2008). Já a terceira obra musical é a “Eu Nunca Disse Que Sabia” (2013), gravada ao vivo.
O disco “Belê” chega agora, alguns anos depois, não como uma fotografia daquele começo, mas como aquilo que o tempo fez com Thera Blue’. “É uma coleção de canções que atravessou a distância entre a primeira palavra e o primeiro acorde para finalmente encontrar o seu lugar no mundo. O título também guarda essa liberdade. ‘Belê’ é palavra, som, apelido e espécie de aceno. Tem qualquer coisa de íntimo e de aberto ao mesmo tempo. É simples sem ser simplório, e próximo sem precisar se explicar. ‘Belê’ não é apenas um título, funciona como uma espécie de chave de leitura do disco”, pontua Carmen Farias.
Musicistas
Além da percussionista agrestina Ana Paula Marinho, mais cinco músicos pernambucanos realizaram a gravação de instrumentos de cordas, orgânicos, eletrônicos e percussivos: Olegário Lucena (guitarras), Kell Calixto (bateria), Vertin (contrabaixo, guitarra wah-wah e sintetizadores), Jonathan Richard (teclado) e Lucas Crasto (contrabaixo), à frente também da mixagem e masterização das canções. Ana Paula é a responsável por gravar mais de 20 instrumentos, como congas, xequerê, agogô de castanha, triângulo, pratos, ganzás tradicional e de castanha, timbal, bongô, pandeirola, apito, sifão, mangueira conduíte, pandeiro, tamborim e caxixis, além dos efeitos com sementes de Aguaí e de Jatobá, tampas de plástico e lata.
Jonathan Richard, Olegário Lucena e Kell Calixto também são do interior de Pernambuco. Jonathan é natural de Caruaru, sendo conterrâneo de Thera, Carmen e Ana Paula, Olegário, do município de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste, e Kell, natural de Arcoverde.
As gravações da obra foram feitas por Vertin nos estúdios Sítio Terra Viva (Arcoverde) e Acervo (São Paulo/SP), além das vozes no Boteco do Furdúncio (São Paulo), exceto alguns dos contrabaixos, gravados pelo recifense Lucas Crasto, e o teclado, com gravação de Jonathan Richard.
“Música é diálogo com nossas referências. É aquela história de que nada se cria, se reinventa. ‘Belê’ tem disso, pois é um ‘álbum novo de um músico velho’. Thera Blue’, homem marca, sim na ponta de rua, eu vi, muito novo, ele se sobressair numa canja de duas músicas, na mercearia, Isaac Maia era vivo e a gente também. Thera me atravessou com sua performance, seu jeito, seu texto, a sua interpretação da música e contexto, de show e de canja, de ser ele na noite e ser dia. Aqui estou mais como fã do que crítico ou produtor musical, tive essa honra, é verdade, de produzir seu mais novo trabalho ‘Belê’, de um forma artesanal e intrínseca nos entregamos, nós somos desses, a gente se joga, e com as ferramentas que temos em mãos esculpimos cautelosamente uma forma nova de Thera ser, um álbum, um show, uma foto, tudo isso é simples e até fácil de fazer, de um ponto de vista, mas um conteúdo complexo, divertido e sofisticado”, declara Vertin.
Show de lançamento
No dia 17 de outubro deste ano, num sábado, Thera Blue’ apresenta “Belê” com a banda em Caruaru, no Alto do Moura, exatamente no espaço Lengo Tengo (Rua Mestre Vitalino, n° 228), às 18h.
Ficha técnica
Produção executiva: Thera Blue’ e Ana Paula Marinho
Voz e composições: Thera’ Blue
Composições e percussões: Ana Paula Marinho
Composições e introdução de uma música (voz gravada do celular): Carmen Farias
Produção musical, guitarra wah-wah e sintetizadores: Vertin
Bateria: Kell Calixto
Guitarra: Olegário Lucena
Contrabaixo: Lucas Crasto
Teclados: Jonathan Richard
Gravações: Vertin nos estúdios Sítio Terra Viva (Arcoverde/PE) e Estúdio Acervo (São Paulo/SP), exceto os contrabaixos das faixas 4, 9 e 10, gravados por Lucas Crasto (Recife/PE), as vozes gravadas por Vertin no Boteco do Furdúncio (São Paulo), e o teclado da faixa 5 gravado por Jonathan Richard
Mixagem e masterização: Lucas Crasto
Capa, identidade visual e artes: Sérgio Almeida
Fotografias: Zanderson Hernandez
Assessoria de imprensa e mídias sociais: Stephanie Sá
Músicas
1- “Pessoa Bonita” (Carmen Farias e Thera Blue’)
2- “Seu Nome” (Carmen Farias e Thera Blue’)
3- “Ser Igual É o Que Deveria Ser Esquisito” (Carmen Farias e Thera Blue’)
4- “Desafeto” (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’)
5- “Até Quando Eu Quiser” (Ronaldo Lamppi)
6- “Melodia das Raízes” (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’)
7- “Belê” (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’)
8- “Falsas Notícias” (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’)
9- “Lenga Lenga” (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’)
10- “Você Não Gosta de Mim”(Carmen Farias e Thera Blue’)
11- “Se Não Der pra Você” (Ana Paula Marinho e Thera Blue’)
Ficha técnica por música
1- PESSOA BONITA (Carmen Farias e Thera Blue’)
Thera Blue’ - voz
Ana Paula Marinho - efeitos com tampas de plástico e lata, congas, xequerê e agogô de castanha
Olegário Lucena - guitarras
Vertin - contrabaixo
Kell Calixto - bateria
2- SEU NOME (Carmen Farias e Thera Blue’)
Thera Blue’ - voz
Ana Paula Marinho - triângulo, congas e pratos
Olegário Lucena - guitarras
Vertin - contrabaixo
Kell Calixto - bateria
3- SER IGUAL É O QUE DEVERIA SER ESQUISITO (Carmen Farias e Thera Blue’)
Thera Blue’ - voz
Ana Paula Marinho - ganzá de castanha e timbal
Olegário Lucena - guitarras
Vertin - contrabaixo
Kell Calixto - bateria
4- DESAFETO (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’)
Thera Blue’ - voz
Ana Paula Marinho - bongô e prato
Olegário Lucena - guitarras
Lucas Crasto - contrabaixo
Kell Calixto - bateria
5- ATÉ QUANDO EU QUISER (Ronaldo Lamppi)
Thera Blue’ - voz
Ana Paula Marinho - pandeirola, bongô e efeitos com tampas de plástico e apito)
Olegário Lucena - guitarras
Vertin - contrabaixo
Kell Calixto - bateria
Jonathan Richard - teclado
6- MELODIA DAS RAÍZES (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’)
Thera Blue’ - voz
Ana Paula Marinho - sifão, mangueira conduíte, pandeiro, efeito com sementes de Aguaí e de Jatobá, caxixis e triângulo
Olegário Lucena - guitarras
Vertin - sintetizadores
7- BELÊ (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’)
Thera Blue’ - voz
Ana Paula Marinho - efeito com tampas de plástico e prato
Olegário Lucena - guitarras
Vertin - contrabaixo e guitarra wah-wah
Kell Calixto - bateria
8- FALSAS NOTÍCIAS (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’)
Thera Blue’ - voz
Ana Paula Marinho - timbal, pandeirola e pandeiro
Olegário Lucena - guitarras
Vertin - Baixo
Kell Calixto - bateria
Carmen Farias - voz/introdução (mensagem de celular)
9- LENGA LENGA (Carmen Farias, Ana Paula Marinho e Thera Blue’)
Thera Blue’ - voz e vocal
Ana Paula Marinho - tamborim e pandeiro
Olegário Lucena - guitarras
Lucas Crasto - contrabaixo
Kell Calixto - bateria
10- VOCÊ NÃO GOSTA DE MIM (Carmen Farias e Thera Blue’)
Thera Blue’ - voz
Olegário Lucena - guitarras
Ana Paula Marinho - ganzá, triângulo e prato
11- SE NÃO DER PRA VOCÊ (Ana Paula Marinho e Thera Blue’)
Thera Blue’ - voz
Ana Paula Marinho - xequerê e timbal
Olegário Lucena - guitarras
Vertin - contrabaixo
Kell Calixto - bateria
Publicado por:
Daniel Lima
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
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