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Nos dias 1, 2 e 3 de outubro, o Teatro Gonzaguinha, no Rio de Janeiro, recebe o espetáculo Colateral, uma peça que resgata a memória da ditadura militar brasileira para discutir a força da arte como ferramenta de resistência democrática. Escrita, dirigida e encenada por Enzo Mothê e João Pessanha, a montagem coincide com o período em que o país se prepara para voltar às urnas.
O conceito do Teatro de Levante e a resistência poética
A produção apresenta a história de Vavá e Lulu, dois artistas mambembes que viajam de praça em praça com instrumentos desgastados pelo tempo. A dupla utiliza o humor, a maquiagem e a figura do palhaço para contrastar com a violência histórica retratada. Os criadores definem a proposta como "Teatro de Levante", um conceito inspirado nas ideias de Federico García Lorca sobre a poesia que ganha vida humana no palco.
"Nos interessa uma linguagem inédita e original, um teatro essencialmente brasileiro", afirmam os realizadores. A peça mistura influências de grandes nomes do teatro, como Bertolt Brecht, Augusto Boal, Amir Haddad e Zé Celso Martinez Corrêa, buscando resgatar a identidade cultural do país em uma encenação que une o drama e a comédia de forma integrada.
Música ao vivo e os múltiplos sentidos de Colateral
A música desempenha um papel fundamental na narrativa, sendo executada ao vivo pelo sanfoneiro Matheus Queiroz. O repertório inclui clássicos da MPB como "Tempo Rei" e "Tareco e Mariola", além da canção original "Brilho de Cornalina", composta por João Pessanha. Segundo Enzo Mothê, a sonoridade nordestina do acordeon ajuda a costurar as transições de cena e reforça a atmosfera de solaridade e alegria popular.
O título da obra carrega múltiplos significados simbólicos que enriquecem a experiência do espectador:
- Os efeitos e cicatrizes que o regime militar deixou na sociedade e que ainda ecoam no presente;
- A dualidade dramática entre a comédia do palhaço e a tragédia da violência;
- A parceria e cumplicidade da dupla de artistas mambembes em cena;
- O encontro temporal entre os fatos do passado e a realidade atual do país.
Uma parceria de sucesso nascida na CAL
A colaboração entre João Pessanha e Enzo Mothê começou logo no início de suas formações na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL). Moradores da Zona Norte do Rio de Janeiro, os jovens artistas já desenvolveram 12 cenas curtas e conquistaram oito prêmios teatrais, sendo quatro deles dedicados ao espetáculo Colateral, incluindo o de Melhor Obra no prestigiado Festival SATED-RJ.
A montagem original surgiu a partir de reflexões acadêmicas sobre os 40 anos do fim da ditadura militar, que se completam em 2025. Após uma temporada de estreia fora do circuito acadêmico no Teatro Candido Mendes, a reestreia em 2026 no Teatro Gonzaguinha consolida o amadurecimento do projeto e sua inserção no cenário cultural carioca.
Serviço do espetáculo
- Datas: 1, 2 e 3 de outubro
- Horário: 19h
- Local: Teatro Gonzaguinha (Rua Benedito Hipólito, 125, Rio de Janeiro - RJ)
- Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)
- Classificação: 18 anos
- Duração: 80 minutos
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