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A economista Gorett Bitu lançou sua candidatura ao Senado por Pernambuco pelo partido Unidade Popular (UP), destacando o combate à escala 6x1 como prioridade central de sua plataforma política. Com quase cinco décadas de atuação nos movimentos sociais, a militante defende a ampliação dos direitos da classe trabalhadora, a valorização salarial e o fortalecimento de serviços públicos essenciais no estado.

Propostas para o trabalho e a economia

Para a candidata de 69 anos, a rotina de trabalho atual penaliza gravemente a população, sobretudo as mulheres. Bitu argumenta que a rotina de seis dias de trabalho para um de folga é adoecedora e impede o convívio familiar e o lazer.

Além da mudança na jornada laboral, a plataforma da UP propõe um reajuste de 100% no salário mínimo e a revogação da reforma trabalhista. Para financiar investimentos sociais, a economista defende a auditoria da dívida pública e a taxação das grandes fortunas.

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Defesa da democracia e segurança pública

Coordenadora do Movimento de Mulheres Olga Benário, Bitu afirma que seu partido busca a construção do poder popular como alternativa para conter a expansão da extrema-direita. A candidata enfatiza a necessidade de conscientizar a classe trabalhadora sobre seus direitos sociais e políticos.

Na área da segurança pública, a proposta central envolve a desmilitarização da Polícia Militar, substituindo-a por um modelo comunitário e voltado para a coletividade. A postulante aponta que a violência policial atinge de forma desproporcional os jovens negros das periferias.

Saúde pública e direitos das mulheres

A candidata defende um SUS 100% público e o fim da gestão por Organizações Sociais (OSs). Bitu critica a mercantilização da saúde e argumenta que o orçamento estatal deve ser investido diretamente em estruturas públicas e na valorização dos profissionais.

Em relação às pautas de gênero e raça, Bitu apoia o direito ao aborto legal como pauta de saúde coletiva. Ela também propõe restringir contratos públicos com empresas que não combatem a desigualdade salarial ou mantenham agressores em seus quadros.

Educação e justiça socioambiental

Para a infância e juventude, a candidata propõe uma revisão curricular que supere o eurocentrismo e combata o racismo nas escolas. A pauta inclui ainda a regulamentação dos direitos territoriais de povos indígenas e comunidades quilombolas.

Bitu ressalta que o racismo ambiental afeta diretamente a população negra, mais exposta a tragédias climáticas nas periferias. Sua proposta inclui a criação de empregos formais em obras públicas de saneamento, urbanização e contenção de encostas.

Atuação conectada aos movimentos sociais

A militante destaca que sua trajetória no partido e na coordenação de movimentos sociais garante um diálogo permanente com as bases comunitárias. A atuação conjunta busca assegurar moradia digna e amparo a mulheres em situação de vulnerabilidade.

A entrevista integra a série de sabatinas Elas no Senado, promovida pelo Instituto da Mulher Negra para dar visibilidade às candidatas negras nas eleições legislativas.

FONTE/CRÉDITOS: Washington Andrade