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O espetáculo pernambucano de teatro infantil “Helô em Busca do Baobá Sagrado” ganha uma nova temporada com o objetivo de fortalecer e valorizar o protagonismo das crianças negras. A circulação é estadual e vai até o fim deste ano, por quatro macrorregiões de Pernambuco: Região Metropolitana do Recife (RMR), Zona da Mata Norte, Agreste e Sertão. A apresentação de abertura do circuito ocorre nesta sexta-feira (02 de outubro), na Escola Municipal Quilombo Onze Negras, no município do Cabo de Santo Agostinho (RMR), às 9h, exclusivamente  para as pessoas da própria comunidade quilombola e moradoras/moradores locais. A classificação indicativa é livre. 

Também no mês de outubro, reencontra o Espaço O Poste, no centro do Recife (Rua do Riachuelo, nº 641 - bairro da Boa Vista), no dia 10/10 (sábado), às 16h, com entrada gratuita para crianças de terreiros e indígenas de escolas públicas. Essa sessão tem recurso de acessibilidade comunicacional de Audiodescrição para pessoas com deficiência visual (cegas ou com baixa visão), intelectual ou neurodivergentes. No Sertão, o espetáculo acontece em Arcoverde, na aldeia indigena Fulni-ô. Já as datas e locais da Zona da Mata Norte e Agreste estão a definir. Ao todo, são cinco apresentações durante o circuito. 

A peça teatral autoral “Helô em Busca do Baobá Sagrado” é inspirada no livro infantil “As Aventuras de Helô em Busca do Baobá Sagrado” (2025), lançado por Talles Ribeiro e pela criança Heloísa Ribeiro, atualmente com nove anos de idade. Agrinez Melo assina a direção do espetáculo e também assume a dramaturgia (textos), a composição das letras musicais e a criação do figurino. Agrinez, Talles e Heloísa, filha que acompanha as apresentações, ensaios e montagem, além de guiar os textos, formam uma família afropernambucana do Recife. Além disso, ela está no elenco e na atuação das bonecas, bonecos e figuras animadas, juntamente com Cecília Chá, Ester Soares, Fábio Henrique e Talles Ribeiro. A produção geral e a realização são da autoria da DoceAgri. 

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O espetáculo é fruto da junção entre a literatura e o teatro, unindo artes cênicas, dança, música, ancestralidade, performances de bonecos e bonecas e de personagens e diálogo direto com o público. Além da inspiração nos escritos literários de Talles Ribeiro e de Heloísa Ribeiro, diversas crianças contribuíram diretamente para as ideias textuais e a encenação do espetáculo. 

“O contexto de criação surge da necessidade urgente de colocar a criança negra no centro das narrativas infantis, em contraponto à histórica ausência de representatividade protagonista afrocentrada. Cada apresentação cria uma ponte entre memória e imaginação, cultura e infância, fortalecendo o vínculo das crianças com sua própria história, e a diversidade que as cerca. Também traz um pensamento a respeito do que as crianças e a pauta ancestral têm para nos ensinar na perspectiva de uma sociedade justa e feliz para as novas gerações”, declara Agrinez Melo. 

A sinopse diz: “Helô, uma menina negra de cabelos crespos e frondosos, tem em seu ser coragem e sorriso no rosto e nos convida a viver uma aventura encantada. Tudo começa quando a menina Helô se vê sozinha e triste com a ausência de sorrisos em seu povoado.  Preocupada, vai ao encontro de sua avó, a Velha Cachimbeira. Lá é informada por sua avó que ela terá uma missão: encontrar o Fruto Sagrado do Baobá e curar seu povo da doença da tristeza, ocasionada pelo racismo e o bullying de um ser sem graça. Em companhia de seu pai, vai para a Floresta Negra, em busca do fruto sagrado. O que Helô não imaginava é que estava prestes a viver a aventura mais divertida e encantadora de sua vida. O encontro com Pé de Jaca, Dr. Sapão, sua amiga Anahí, Corujita, os encantados e Comadre Fulorzinha irá levar Helô até o Baobá Sagrado. Mas para isso precisarão enfrentar Seu Quadrado e sua visão cinza do mundo”.

Além de chegar pela primeira vez à comunidade quilombola Onze Negras, o espetáculo também vai à Zona da Mata Norte e ao Sertão do estado de maneira inédita. O projeto “Helô em Busca do Baobá Sagrado: protagonismo infantil afrocentrado em circulação por Pernambuco” tem incentivo público, com financiamento pelo edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Ministério da Cultura, Governo Federal, Governo do Estado de Pernambuco, Fundarpe e Secretaria de Cultura (Secult-PE).  

“Buscamos levar essa presença para diversas localidades pernambucanas, com o propósito da interiorização da cultura local e da visibilidade das comunidades indígenas e quilombolas do interior, destacando a criança enquanto ser vital de continuidade ancestral. A peça valoriza as referências afro-brasileiras, quilombolas, indígenas e locais, celebrando a diversidade, a ancestralidade, a identidade cultural e o respeito à natureza. É mais do que um espetáculo para as crianças, sendo uma vivência lúdica de reconhecimento e pertencimento”, afirma Agrinez. 

Vale dizer que a peça reúne apresentações por espaços culturais, terreiros de matriz africana, festivais, escolas municipais e aldeia/território indígena: Casarão das Artes (Recife), Escola Pernambucana de Circo (Recife), Aldeia Marataro Kaeté (Igarassu - RMR), Ilê Axé Oxum Iponda (Olinda), Escola Municipal Soldado José Antônio Nascimento (Recife), Espaço O Poste (Recife), Festival Pernambuco Meu País (Serra Negra - município de Bezerros, Agreste), Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco (Teatro do Parque, Recife) e Festival Palco Giratório (Teatro Capiba, Recife). Mais de 300 pessoas entre crianças e adultos já assistiram ao espetáculo. 

“Entre os impactos culturais do projeto estão a formação do público infantil, o estímulo da participação comunitária, a valorização do protagonismo infantil afrocentrado e o fortalecimento das culturas afro-brasileira, indígena e pernambucana, ampliando a interiorização da cultura e o acesso à arte. ‘Helô em Busca do Baobá Sagrado’ transforma cada apresentação em um convite à descoberta, à empatia e ao encantamento, proporcionando às crianças de diferentes contextos e territórios a experiência de se sentirem vistas, ouvidas e parte viva da riqueza cultural e natural do estado”, pontua Agrinez Melo. 

Meio ambiente

Além da narrativa de identidade racial, “Helô em Busca do Baobá Sagrado” faz um diálogo com a perspectiva ambiental, a partir do uso de materiais reciclados nos cenários e figurinos do espetáculo. Mais do que o visual, destaca temáticas de respeito e cuidado com a natureza.

Equipe  

A ficha técnica é composta por uma diversidade de profissionais de Pernambuco: Beto Xambá e Thúlio Xambá (criação musical); Monique Sampaio e Carlos Mas (sonorização/sonoplastia); Douglas Duan (preparação de canto, cenografia, máscaras e adereços); Naná Sodré (preparação vocal); Vinicius Vieira (criação da maquiagem); Célia Regina (criação e confecção dos bonecos/bonecas); André Cordeiro (iluminação); Washi San’s (consultoria coreográfica); Heloisa Ribeiro de Melo e Sophia Soares (consultoria criativa infantil); Francis Souza, Monique Nascimento, Álcio Lins e Ágata Gabrielli (confecção do figurino); Brunna Martins (produção executiva); e Daniel Lima (assessoria de imprensa).

“Helô em Busca do Baobá Sagrado” - temporada: protagonismo infantil afrocentrado em circulação por Pernambuco - 2026 - classificação indicativa livre

02 de outubro (sexta-feira)

Local: Escola Municipal Quilombo Onze Negras (Avenida Refibras - Distrito Industrial Diper, Cabo de Santo Agostinho/PE)

Horário: 9h

Entrada: exclusiva para as pessoas da própria comunidade quilombola e moradoras/moradores locais

10 de outubro (sábado)

Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, nº 641 - bairro da Boa Vista, centro do Recife)

Horário: 16h

Entrada: gratuita para crianças de terreiros e indígenas de escolas públicas

Recurso de acessibilidade comunicacional: Audiodescrição para pessoas com deficiência visual (cegas ou com baixa visão), intelectual ou neurodivergentes 


Observação: no Sertão, a apresentação ocorre em Arcoverde, na aldeia indígena Fulni-ô; já as datas e locais da Zona da Mata Norte e Agreste estão a definir 

Ficha técnica 

Dramaturgia, direção, composição das letras musicais e criação do figurino: Agrinez Melo                     

Elenco e atuação de bonecos, bonecas e figuras animadas: Agrinez Melo, Cecília Chá, Ester Soares, Fábio Henrique e Talles Ribeiro

Criação musical: Beto Xambá e Thúlio Xambá

Sonorização/sonoplastia e execução da trilha sonora: Monique Sampaio e Carlos Mas; Chico Vieira participa da equipe na apresentação no Espaço O Poste (10/10)

Preparação de canto, cenografia, máscaras e adereços: Douglas Duan

Preparação vocal: Naná Sodré

Criação da maquiagem: Vinicius Vieira

Criação e confecção de bonecos/bonecas: Célia Regina

Iluminação: André Cordeiro

Confecção do figurino: Francis Souza, Monique Nascimento, Álcio Lins e Ágata Gabrielli

Consultoria coreográfica: Washi San’s

Consultoria criativa infantil: Heloisa Ribeiro de Melo e Sophia Soares

Produção executiva: Brunna Martins

Produção geral e realização: DoceAgri