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O cantor e compositor KBRUM lançou oficialmente o seu mais novo álbum de estúdio, intitulado Raggaleluia, pela gravadora Deck. Natural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o artista suburbano revisita suas origens para transformar a música que o salvou em um verdadeiro mantra de cura e afirmação coletiva.

Composto por 14 faixas, o disco conta com a direção musical de Wando e produções assinadas por Carlo e Áfricanoise. A obra reflete as vivências do artista, cuja expressão de fé passou por templos evangélicos na infância e encontrou novos caminhos nas religiões de matriz africana, conectando-se profundamente com a cultura urbana.

A fusão de universos sonoros e identitários

O nome do álbum sintetiza a visão artística de KBRUM. "Raggaleluia é a grande conclusão de toda essa história. É uma palavra que criei a partir da junção de duas outras: ragga e aleluia, esta última associada ao sagrado", explica o cantor, definindo o projeto como um canto gospel de louvor, regozijo e gratidão pela sobrevivência e arte na periferia.

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A identidade visual do projeto acompanha essa carga simbólica. A capa, pintada por Rafael Símba, retrata um Cristo alado com as cores da bandeira jamaicana, empunhando uma espada e uma balança da justiça enquanto pisa em seu algoz demoníaco, unindo resistência e representatividade.

Participações especiais e diversidade de ritmos

O disco transita por diferentes vertentes musicais ao longo de sua tracklist, reunindo participações de peso que enriquecem a narrativa sonora:

  • Gugs na faixa de humor e fé "Deus Me Livre";
  • Bruno Kroz no som soteropolitano de "El Patron";
  • Maskotte unindo drum and bass em "Lewis Hamilton";
  • Maui no resgate estético dos anos 2000 em "Jamaicaxias 2";
  • Ludom no amapiano abrasileirado de "Manipula";
  • Clara Ribeiro finalizando o disco na faixa-título.

Memória e ancestralidade na faixa a faixa

A jornada do álbum começa em "Introdução (Original Bom Dia)", inspirada nas memórias de infância em que seu pai o acordava ao som do violão. A narrativa avança por reflexões cotidianas em "Mó Paz" e "Não Demora", enquanto faixas como "Original BXD" trazem uma forte dimensão política voltada para a liberdade e justiça social.

Explorando novas fronteiras, o projeto transita pelo rock em "Bye Bye Bye", pelo dancehall jamaicano em "Fora da Lei" e pelo grime e samba, consolidando a Baixada Fluminense como protagonista de uma obra que celebra a vida e a busca pela liberdade.