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Primeira feira quilombola de São Paulo levou 1,6 tonelada de alimentos à periferia

Quilombo

Primeira feira quilombola de São Paulo levou 1,6 tonelada de alimentos à periferia

Próxima edição do Quilombo&Quebrada será no dia 13 de agosto em São Miguel Paulista

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São Miguel Paulista teve um sábado quilombola. O bairro da zona leste da capital paulista recebeu no dia 9 de julho a primeira edição da feira Quilombo&Quebrada, com produtos orgânicos e agroecológicos dos quilombos do Vale do Ribeira, sudeste do Estado de São Paulo.

Ao todo, 1,6 tonelada de uma diversidade de frutas, legumes e verduras produzidos com a Mata Atlântica em pé chegou com preços subsidiados ao Galpão ZL, equipamento gerido pela Fundação Tide Setúbal e Sociedade Amigos do Jd. Lapena.

A ação é de Mulheres de Orì e Kitanda das Minas – iniciativas de cultura alimentar afro geridas por mulheres negras – em parceria com a Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira (Cooperquivale), que há 10 anos organiza e comercializa os produtos das comunidades quilombolas.

A Cooperquivale, com sede no município de Eldorado (SP), recebe apoio técnico do Instituto Socioambiental (ISA) para organizar e escoar sua produção.

“Ficamos felizes de mostrar um conhecimento simples, mas que as outras pessoas não têm”, afirmou Tânia Moraes, do Quilombo Sapatu, conselheira fiscal da Cooperquivale. “É gratificante saber que no meu território eu posso colher o produto do pé e também levar para os meus irmãos”.

"Quebrada e Quilombo são territórios de resistência negra", reforçou Adriana Rodrigues, que faz parte da organização Mulheres de Orì e é assessora do ISA. “O que nós estamos fazendo aqui é um aquilombamento, porque nós fazemos parte de uma história e de uma mesma ausência de políticas públicas que não nos permite viver e existir com saúde”, explicou.

A primeira edição da feira contou com 26 variedades de alimentos, entre eles quatro tipos de banana (prata, nanica, ouro e pão), maracujá, limão rosa e taiti, mandioca, inhame, cará de espinho, maná cubiu, almeirão, alface, taioba, laranja, palmito, além de mel, rapadura, taiada, farinha de mandioca e banana chips.

“Entregar esses alimentos alimenta o corpo e alimenta as imaginações. E é preciso replantar a nossa imaginação”, disse Gisele Brito, do Instituto de Referência Negra Peregum. “A agricultura não é pop. É uma atividade essencial feita por pessoas.”

Ao todo, cerca de 70% dos alimentos foram comercializados na feira, e a xepa foi distribuída para famílias de imigrantes africanos do Centro Cultural Guiné e da Associação dos Estudantes Angolanos no Brasil, em articulação com a Casa Preta Hub.
 
Para a próxima edição da feira, no dia 13 de agosto, a previsão é de mais de duas toneladas de produtos quilombolas no Galpão ZL.

“O Quilombo&Quebrada, ainda bebê, mas grande em proposta, tem como objetivo romper com a grande vala que hoje o agronegócio impõe entre a oferta e a demanda de alimentos”, apontou Kenia Cardoso, coordenadora de Nova Economia e Desenvolvimento Territorial da Fundação Tide Setúbal. “É um absurdo ter mais de 60% da população do Brasil hoje em situação de insegurança alimentar.”

O lançamento do Quilombo&Quebrada contou ainda com exibição do minidocumentário “Do Quilombo pra Favela - Alimento para a Resistência Negra”, realizado pela Cooperquivale, pelo ISA e pelas associações quilombolas do Vale do Ribeira, com discotecagem da DJ Bia Sankofa (militante Coletivo Força Ativa) e se encerrou com o Samba das Pretas, grupo formado por mulheres negras da Cidade Tiradentes.

Patrimônio e segurança alimentar

Com preços subsidiados, os produtos apresentados na feira são oriundos das roças quilombolas, que são parte do Sistema Agrícola Tradicional Quilombola, reconhecido desde 2018 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial do Brasil.

“Nós estamos em um momento de garantia de direitos, que só se dá através das lutas coletivas, sem o racismo”, disse Nilce Pontes, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). “Nós não vamos comer soja, cana, trigo. Nós não somos commodities. Somos grupos organizados que sustentam o Brasil.”

Serviço:

2a edição do Quilombo&Quebrada, a feira quilombola em SP!
Local: Galpão ZL (R. Serra da Juruoca, 112 - Jardim Lapena, São Paulo - SP, 08071-180)
Quando: 13/08 (sábado)
Feira quilombola: das 9h às 13h
Entrada gratuita

FONTE/CRÉDITOS: Roberto Almeida - Jornalista do ISA
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Primeira feira Quilombo&Quebrada levou 1,6 tonelada de produtos orgânicos e agroecológicos dos quilombos do Vale do Ribeira à periferia|Ariel Gajardo/ISA
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