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Um seminário realizado em Marabá revelou dados alarmantes sobre os massacres no campo ocorridos no sul e sudeste do Pará entre 1985 e 2022. O estudo aponta que, de 22 episódios de extrema violência registrados, apenas três resultaram em condenações judiciais, evidenciando uma falha sistêmica na responsabilização dos envolvidos.

O encontro, fruto de uma parceria entre o Ministério da Justiça, a UnB e a CPT, reuniu pesquisadores e familiares para discutir a impunidade. A gravidade da situação foi reforçada pela necessidade de escolta policial para defensores de direitos humanos presentes no evento.

Um ciclo de impunidade

Segundo o professor Diego Diehl, da UnB, a ausência de respostas do Estado funciona como um incentivo para o aumento da violência. Dos 22 casos analisados, 19 permanecem sem desfecho, com inquéritos que nunca avançaram ou processos que foram extintos ao longo das décadas.

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Larissa Tavares, assessora jurídica da CPT, criticou a postura do Judiciário regional. Para ela, existe uma disparidade ética: enquanto trabalhadores rurais são criminalizados com rigor, crimes contra camponeses enfrentam uma letargia que naturaliza a violência.

Ausência de órgãos estaduais

Durante a entrega de uma pauta de reivindicações, a ausência de representantes do governo estadual, do Iterpa e da Defensoria Pública foi notada. Apenas o Ministério Público Federal e o Incra participaram do diálogo.

O documento entregue defende uma maior atuação federal, incluindo a abertura de inquéritos pela Polícia Federal. O objetivo é romper o silêncio institucional e garantir que a luta pela terra no Pará não seja marcada apenas por tragédias e pelo esquecimento. Saiba mais detalhes no site da CPT.

FONTE/CRÉDITOS: Washington Andrade