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A crise da habitação em Portugal intensifica-se e gera novos desafios, unindo o passado de assentamentos precários à realidade atual de milhares de famílias ameaçadas de despejo. Durante mobilizações em Lisboa, moradores e ativistas alertam que a escassez de moradias acessíveis impulsiona o surgimento de bairros vulneráveis e pressiona comunidades inteiras.
Se os antigos complexos habitacionais públicos nasceram para solucionar crises passadas, o cenário atual volta a empurrar populações para a margem. António Brito Guterres aponta que a falta de investimento e a baixa oferta a preços compatíveis com os salários criam um ciclo contínuo de exclusão e superlotação.
O peso da habitação pública no país permanece em patamares baixos, atingindo cerca de 2% do total. Especialistas reforçam que a incapacidade do mercado em absorver estudantes, idosos e famílias de baixa renda agrava o problema, resultando no ressurgimento de construções improvisadas e na pressão sobre as periferias urbanas.
Os despejos representam outra face crítica desse processo, com milhares de pedidos tramitando nos órgãos competentes. Histórias como a de Ângela Teixeira ilustram a vulnerabilidade de quem perde o teto e não encontra alternativas no mercado de arrendamento, mobilizando protestos por todo o país em defesa do direito à moradia digna.
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