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Entre os dias 5 e 12 de outubro, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realiza em todo o Brasil a Jornada Sem Terrinha, uma mobilização nacional que reúne crianças de assentamentos e acampamentos. O evento deste ano tem como objetivo central resgatar a memória dos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, promovendo atividades de estudo, plantio de árvores e debates sobre a preservação da democracia.
A edição de 2026 marca as três décadas do trágico episódio ocorrido em 17 de abril de 1996, no Pará, onde 19 trabalhadores rurais foram assassinados pela polícia militar. Segundo os organizadores, debater esse marco histórico nas escolas do campo é essencial para ensinar às novas gerações a importância da resistência ativa e da justiça social frente à impunidade que ainda cerca o caso.
Daiane Ramos, integrante do Setor de Educação do MST, destaca que lembrar o massacre ajuda as crianças a compreenderem a história de seus próprios territórios. Ela explica que a memória coletiva atua como uma ferramenta pedagógica capaz de fortalecer a identidade sem terra e os valores de solidariedade da classe trabalhadora.
A metodologia da mobilização incentiva estudantes a pesquisarem a fundação de suas comunidades. Através de entrevistas com moradores mais velhos, as crianças reconstroem a trajetória de ocupação e conquista da terra. As escolas também realizam atividades lúdicas, como saraus e a construção de maquetes inspiradas no Monumento das Castanheiras.
Outra ação prática de destaque é o plantio de mudas em homenagem aos mártires da luta agrária. A iniciativa faz parte do Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis. Esse projeto visa contrapor o modelo de exploração do agronegócio e da mineração, ensinando conceitos de preservação ambiental e sustentabilidade às crianças.
Solidariedade internacional e o debate político
A dimensão internacionalista também ganha força nesta edição. As crianças realizam atividades de apoio a Cuba, celebrando o centenário de Fidel Castro, e manifestam solidariedade ao povo da Palestina. De acordo com Daiane, essas ações estimulam a empatia global e o entendimento de que a defesa dos direitos humanos ultrapassa fronteiras geográficas.
O calendário da jornada coincide com o período eleitoral, o que motiva o debate sobre a soberania popular e políticas públicas. O MST defende que dialogar com a infância sobre democracia é crucial para protegê-la de retrocessos sociais. Temas como transporte escolar, saúde e infraestrutura rural estão diretamente ligados às decisões políticas do Estado.
Atualmente, o movimento conta com mais de 2 mil escolas públicas em áreas de reforma agrária. A campanha contra o fechamento dessas unidades de ensino reforça a importância da educação contextualizada. Para o MST, assegurar que as crianças permaneçam estudando em seus territórios é fundamental para a consolidação de sua identidade e cidadania.
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