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No dia 26 de novembro, os policiais militares acusados pela morte de Kathlen Romeu, jovem de 24 anos grávida de quatro meses, serão julgados pelo Tribunal do Júri no Rio de Janeiro. O caso, ocorrido em 2021 no complexo do Lins, reacendeu o debate sobre a violência policial em comunidades periféricas e mobilizou familiares que cobram a condenação dos agentes envolvidos na ação.

Kathlen e sua avó, Sayonara de Oliveira, caminhavam pela rua quando foram surpreendidas por disparos de fuzil. Os agentes denunciados pelo Ministério Público, Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano, alegaram legítima defesa contra criminosos, uma versão que nunca foi comprovada pelas investigações.

A mãe da vítima, Jacklline de Oliveira, expressa a dor contínua de perder a filha única e o neto. Ela clama pelo apoio da sociedade civil para que o crime não fique impune, destacando que a responsabilização dos réus é um passo fundamental para frear a letalidade do Estado nas periferias.

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Estatísticas de letalidade no Rio de Janeiro

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que as forças de segurança do Rio de Janeiro foram responsáveis por 798 mortes em 2025. Esse número alarmante representa quase 20% de todas as mortes violentas intencionais registradas no estado naquele período, evidenciando o caráter estrutural do problema.

Estudos anteriores do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) apontam que apenas uma parcela mínima de mortes causadas por intervenção do Estado resulta em denúncias ou condenações judiciais, o que torna o julgamento de Kathlen uma exceção no cenário fluminense.

A longa espera por justiça

Os policiais acusados chegaram a ser absolvidos de fraude processual na Justiça Militar, mas foram condenados em segunda instância pela Justiça comum. Atualmente, os réus respondem ao processo em liberdade, embora estejam afastados de suas funções operacionais na corporação.

Para o pai de Kathlen, Luciano Gonçalves, a mobilização social e jurídica é o único caminho para garantir a preservação de vidas de jovens negros e periféricos. A família superou barreiras institucionais, incluindo tentativas de arquivamento do inquérito, para finalmente levar o caso ao júri popular.

FONTE/CRÉDITOS: Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil