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Um estudo inédito da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul traçou o perfil das mulheres presas no interior do estado, revelando que 70,5% delas se autodeclaram negras. Divulgado nesta quarta-feira (28), o levantamento feito com 488 detentas em seis unidades prisionais mostra a forte relação entre o encarceramento feminino, a vulnerabilidade social e o histórico de agressões prévias.

Coordenado pelo Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), o diagnóstico visitou estabelecimentos penais de Rio Brilhante, Corumbá, Três Lagoas, Jateí, São Gabriel do Oeste e Ponta Porã. A pesquisa aponta que 80,5% das entrevistadas eram responsáveis pelo sustento financeiro de familiares antes de serem detidas, enquanto 86,7% declararam ser mães.

Histórico de violência e vulnerabilidade

A vulnerabilidade social das detentas se reflete no histórico pessoal. Segundo o levantamento, 56,5% das presas foram vítimas de violência doméstica antes do cárcere, e 39,3% sofreram abusos sexuais durante a infância ou adolescência. A escolaridade também é baixa: apenas 32,4% concluíram o ensino médio, e 47,1% jamais tiveram registro formal em carteira de trabalho.

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Apesar do papel crucial no sustento da casa, o isolamento afeta a maioria após o encarceramento. Apenas 39,3% das detentas recebem visitas periódicas no presídio, e somente 26 contam com o apoio direto de companheiros. Segundo defensoras públicas envolvidas, as poucas visitas registradas partem frequentemente das mães dessas mulheres.

Tráfico de drogas e prisões

O envolvimento com o tráfico de drogas figura como a principal razão para a prisão de 51,2% das mulheres primárias e chega a 80,6% entre as reincidentes. Além da necessidade econômica, 68 entrevistadas citaram vínculos afetivos como fator para a entrada no crime, muitas vezes agindo sob pressão ou coação de parceiros.

A Defensoria Pública destacou que o levantamento busca subsidiar políticas públicas e adequar a aplicação de leis, como o pedido de prisão domiciliar para mães de filhos menores de 12 anos. O órgão também registrou relatos de violência dentro do próprio sistema prisional e reforçou o acompanhamento jurídico contínuo.

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FONTE/CRÉDITOS: Washington Andrade