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Centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de toda a França em meio ao crescente descontentamento sobre as condições do sistema educacional do país, que se espalhou e explodiu em violência nos últimos dias.

O que os manifestantes querem

As ruas francesas registraram recentemente o maior dia de mobilização nacional. Mais de 250.000 manifestantes se reuniram em mais de uma dúzia de cidades, sendo cerca de 56.000 apenas em Paris, segundo dados oficiais do Ministério do Interior.

A revolta juvenil tem sido motivada pela indignação com uma série de problemas estruturais crônicos que afetam as escolas de ensino médio. Uma das principais queixas é a escassez crônica de professores e de funcionários de apoio.

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O Ministério da Educação constatou que, durante o ano letivo de 2024-2025, quase 10% das horas de aula não foram ministradas no ensino secundário público. Cerca de 7,5% dessas horas perdidas ocorreram devido à incapacidade de encontrar substitutos.

Reclamações sobre recursos e financiamento insuficientes, além da infraestrutura precária, também foram levantadas. Estudantes relatam salas superlotadas com até 35 alunos, falta de cadeiras, banheiros inadequados e ausência de climatização para enfrentar altas temperaturas.

Outro ponto crítico é a insatisfação com o sistema online de candidatura universitária do país, chamado Parcoursup. Os jovens o descrevem como uma fonte estressante de desconfiança na transparência educacional.

Violência e resposta do governo

A tensão entre manifestantes e a polícia resultou em episódios graves de violência física e confrontos intensos. Milhares de prisões foram efetuadas pelo Ministério da Justiça, e dezenas de estudantes e centenas de agentes de segurança sofreram ferimentos.

O governo tenta abrir canais de diálogo com a comunidade escolar para conter a onda de insatisfação. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou iniciativas que incluem a melhoria das instalações e maior transparência no sistema Parcoursup.

Por sua vez, o presidente Emmanuel Macron afirmou publicamente que ouve e entende as ansiedades e a raiva da juventude. No entanto, os sindicatos estudantis continuam articulando novos bloqueios e pressionando por mudanças estruturais imediatas nas escolas.

FONTE/CRÉDITOS: Washington Andrade