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Liu Olivina diz ter se tornado alvo de ataques e de racismo religioso depois que a leitura de Ciranda em Aruanda em sala de aula inspirou uma atividade com crianças. O episódio incluiu a entrada de policiais na unidade escolar e ganhou repercussão nacional, afetando a rotina da autora.
A ação na escola e a repercussão
No dia 12 de novembro, quatro policiais armados entraram na EMEI Antônio Bento, na Zona Oeste de São Paulo, para questionar a direção sobre um desenho feito por uma criança de quatro anos que retratava a orixá Iansã. O Sindicato dos Profissionais em Educação classificou a intervenção como intimidação, e imagens registradas por câmeras corporais dos agentes passaram a circular neste ano.
Nos vídeos, um dos policiais acusa a diretora de "ditar sua ideologia" enquanto a equipe escolar explica que abordar a cultura afro-brasileira em atividades pedagógicas decorre de uma obrigação prevista em lei. A divulgação das imagens ampliou o debate público e mudou o tom das reações nas redes sociais.
Repercussão sobre a autora e o novo livro
Liu relata que recebeu mensagens que a acusavam de "ensinar macumba" a crianças e também ofensas misóginas, o que a levou a se afastar por alguns dias. Ao mesmo tempo, ela afirma ter recebido amplo apoio da sociedade após a circulação dos vídeos das câmeras corporais, o que a motivou a retomar a atuação editorial.
A autora trabalha em uma continuação de sua obra, com o título provisório de Aruanda em terra. Ainda não há previsão de lançamento, mas Liu afirma que a experiência a fortaleceu e aumentou seu interesse em produzir mais obras que tratem das religiões afro-indígenas nas escolas.
Apuração e medidas nas instituições
As apurações sobre a atuação policial foram conduzidas pela Polícia Militar e pela Polícia Civil. No Inquérito Policial Militar foram analisadas as imagens captadas pelas câmeras corporais e colhidos depoimentos; o IPM foi encaminhado à Corregedoria e remetido ao Tribunal de Justiça Militar para análise.
A Polícia Civil, pelo 34º Distrito Policial (Vila Sônia), indiciou o investigado pelo crime de intolerância religiosa; o órgão informou que o inquérito foi concluído e relatado ao Poder Judiciário em fevereiro de 2026. A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo informou que a EMEI está sendo acompanhada pelo Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (NAAPA), pela Divisão de Educação Infantil e pelo Núcleo de Educação para as Relações Étnico‑Raciais (NEER).
Na explicação da escola e das autoridades envolvidas aparece também a referência legal que orienta o trabalho pedagógico: Lei nº 10.639/2003, que trata da inclusão da história e cultura afro-brasileira nos currículos escolares.
O livro original de Liu, publicado pela Editora Quatro Cantos, recebeu prêmios e selos de recomendação e foi adquirido pela Prefeitura de São Paulo para bibliotecas e salas de leitura da educação infantil, com cerca de 14 mil exemplares comprados em 2022 e 2023.
Foto: Beatriz Araujo
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