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Um acidente rodoviário na Ilha do Fogo, ocorrido na noite de 5 de setembro em Cabo Verde, foi provocado pela perda total de eficácia dos travões após fadiga térmica severa, segundo conclusões da comissão de inquérito divulgadas nesta segunda-feira na capital do país.
A tragédia resultou na morte de 25 pessoas e deixou outras 13 feridas, tornando-se o maior desastre rodoviário registrado em Cabo Verde desde a sua independência, em 1975. O autocarro transportava jovens estudantes em uma viagem organizada como recompensa pelo bom aproveitamento escolar quando capotou e caiu em uma ravina.
Cadeia de falhas técnicas e sobrelotação
Segundo Emanuel Almeida, diretor-geral dos Transportes Rodoviários de Cabo Verde, as investigações apontaram uma sucessão de fatores determinantes para o sinistro. Além do desgaste extremo dos tambores de travão provocados pelo declive acentuado da via, o veículo circulava com 38 passageiros, excedendo a capacidade máxima permitida de 30 ocupantes.
O relatório oficial também revelou graves irregularidades na manutenção do veículo, incluindo adulterações artesanais no sistema de travagem e a ausência do travão auxiliar de escape. Somou-se a isso o fato de a inspeção técnica do autocarro estar caducada há seis meses e a via não possuir barreiras de proteção passiva.
Diante do diagnóstico de falha mecânica e operacional, as autoridades enfatizaram a necessidade de implementar reformas profundas no setor. As medidas propostas incluem o reforço da fiscalização, melhorias na infraestrutura viária, maior rigor na formação dos condutores e a otimização dos meios de resposta a emergências.
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