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O revolucionário Carlos Marighella foi assassinado pela ditadura militar em 4 de novembro de 1969, um evento que marcou profundamente a história política do Brasil. Para compreender sua estratégia e o contexto de sua atuação como líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), resgatamos uma análise clássica do sociólogo Florestan Fernandes.

Marighella, que também foi dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e deputado constituinte em 1946, tornou-se o alvo principal da repressão estatal. Durante anos, o regime tentou apagar sua memória, uma interdição que só começou a ser superada décadas depois, culminando em homenagens públicas que buscaram resgatar seu papel na resistência ao autoritarismo.

A dimensão política do líder

A morte de Marighella não significou seu esquecimento. Pelo contrário, sua figura ganhou contornos históricos mais nítidos com o passar do tempo. Para Florestan Fernandes, o erro dos militares foi acreditar que o martírio silenciaria o revolucionário. Em vez disso, seu sacrifício consolidou um símbolo de coragem contra as contradições enfrentadas pelos partidos de esquerda da época.

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O sociólogo argumenta que o Brasil vivia uma realidade de guerra civil latente. Nesse cenário, o grande desafio era a ausência de um partido verdadeiramente revolucionário, preparado para enfrentar a violência do Estado. Marighella, ao perceber essa lacuna, tentou romper com a linha adaptativa que mantinha o PCB atrelado aos interesses da burguesia.

Reflexões sobre o marxismo no Brasil

Florestan aponta três lições fundamentais deixadas pela trajetória de Marighella. A primeira é a necessidade de uma teoria enraizada na realidade concreta da América Latina, rejeitando modelos eurocêntricos importados. A segunda refere-se à estrutura do partido revolucionário, que deve atuar dialeticamente tanto dentro da ordem burguesa quanto na organização das massas.

Por fim, o autor destaca a crítica às alianças incondicionais com a burguesia. Para Fernandes, o legado de Marighella permanece como um chamado para que a esquerda brasileira reflita sobre seus erros passados. O revolucionário, descrito como um sonhador pragmático, continua a desafiar as estruturas de poder e a exigir uma análise séria sobre os rumos do socialismo no país.

FONTE/CRÉDITOS: Washington Andrade