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Membros da ONG Justiça Ambiental e líderes comunitários de Moçambique deslocaram-se a Paris para denunciar os impactos sociais e ambientais da barragem de Mphanda Nkuwa. O megaprojeto no rio Zambeze ameaça inundar cerca de 100 km² de terras comunitárias e desalojar mais de 1.400 famílias sem a devida consulta prévia às populações afetadas.

Apesar de idealizado no final dos anos 1990, o empreendimento ganhou força em 2023 após um acordo com um consórcio internacional. Atualmente, o grupo responsável pela obra é liderado pela empresa francesa EDF, ao lado da Electricidade de Moçambique e da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, após as saídas da TotalEnergies e da Sumitomo Corporation.

Impactos ambientais e ausência de consulta pública

A Justiça Ambiental alerta que a maior parte da energia produzida será exportada, enquanto as populações locais enfrentam sérios riscos sísmicos e alterações drásticas no ecossistema do rio. A alteração do caudal do Zambeze e do transporte de sedimentos põe em perigo a biodiversidade e os meios de subsistência de comunidades inteiras.

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Durante a visita à Europa, o líder da comunidade de Ntepe, Alex Chipissane Thaulo, criticou a falta de diálogo das empresas envolvidas. Segundo o representante local, os moradores dependem diretamente do rio para beber água, cultivar hortas, pescar e praticar o garimpo artesanal de ouro, vivendo sob constante intimidação.

Resistência comunitária e apelo em Paris

A diretora da Justiça Ambiental, Anabela Lemos, e a ativista Antónia Felisberto destacam que os líderes locais têm sofrido pressões para silenciar a oposição ao projeto. As comunidades temem repetir o cenário de degradação ambiental e perda de qualidade de vida já verificado em outros megaprojetos extrativos na região.

A luta da população inspirou canções de protesto e o documentário Mphanda Nkuwa: Pansi M’pathu, realizado por Emídio Jozine. Em resposta às reivindicações levadas à França, a construtora EDF recusou a reunião em Paris, propondo realizar um encontro em Maputo para debater as preocupações sobre o empreendimento.

FONTE/CRÉDITOS: Vitor Lúcio Andrade