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Ativistas que protestavam contra a crise na habitação em Lisboa foram ouvidos no Campus de Justiça esta semana, após serem detidos em operações policiais na Praça do Rossio. As ações da polícia, motivadas pela desocupação de acampadas recentes, resultaram em feridos e geraram fortes denúncias de repressão e uso desproporcional da força por parte de movimentos sociais e juristas.

Diante do tribunal, dezenas de apoiadores organizados pelo movimento Acampada de Lisboa realizaram uma vigília em solidariedade aos detidos. Entre os manifestantes estava Maria Rosa, de 68 anos, que criticou a atuação policial. A aposentada ressaltou que vive com filhos e netos devido aos custos inacessíveis dos imóveis na capital portuguesa.

Críticas à atuação policial e violação de direitos

O professor universitário Mário Lino da Silva também marcou presença para defender o direito constitucional de manifestação pacífica. Paralelamente, vídeos divulgados nas redes sociais registraram o uso de bastões e cães pelas forças de segurança durante as investidas de madrugada, deixando relatos de agressões e ferimentos entre os jovens.

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Um dos manifestantes detidos relatou que os agentes invadiram o acampamento de surpresa por volta das cinco da manhã. Segundo o jovem de 23 anos, a polícia agiu com extrema violência, utilizando cassetetes e imobilizando os presentes com joelhos no pescoço antes de conduzi-los à esquadra.

Questionamentos jurídicos e impacto no país

Os jovens enfrentam acusações de desobediência por não acatarem ordens de dispersão. Contudo, a advogada Joana Marques Brás e o ativista António Brito Guterres questionam a legitimidade da intervenção, apontando desproporcionalidade e alegando que cerca de 20 pessoas precisaram de atendimento hospitalar após os confrontos.

Para António Tonga, porta-voz da Acampada de Lisboa, a resposta policial refletiu uma tentativa de sufocar a mobilização jovem. As manifestações, que tiveram início no Porto no começo de outubro, ganharam amplitude nacional no contexto das discussões parlamentares sobre a nova lei do arrendamento em Portugal.

FONTE/CRÉDITOS: Vitor Lúcio Andrade