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Histórico! O fato é que a tradição do Samba de Coco, por meio do trupé — originário do município de Arcoverde (Sertão de Pernambuco) —, é levada ao Recife/PE em dose dupla, exatamente neste sábado (31/10). Os grupos autorais arcoverdenses Coco Raízes e Coco Fulô do Barro, ambos da cultura popular, realizam show gratuito e concluem o mês de outubro na capital pernambucana, trazendo a identidade, a poesia e a originalidade do povo do interior do estado.  

O Samba de Coco Raízes de Arcoverde, que existe desde 1992 a partir do resgate do mestre Lula Calixto, faz a apresentação no Parque Santana, na Zona Norte do Recife (bairro Santana), pelo 20º Festival de Circo do Brasil, às 19h30. Já o Coco Fulô do Barro, que neste ano de 2026 celebra dez anos de existência, toca na Praça do Rosário, no bairro da Várzea (Zona Oeste do Recife), às 20h20, pela 13ª edição do Azougue – Festival de Cultura Popular. O festival Azougue é uma criação autoral do artista pernambucano Maciel Salú (natural de Olinda), que é cantor,  cantor, compositor, rabequeiro, arte-educador e produtor musical e artístico-cultural. 

Recentemente, os dois grupos também se apresentaram num mesmo dia, pelo 16º Festival Lula Calixto, no Alto do Cruzeiro, em Arcoverde, no mês de outubro deste ano, com realização do Samba de Coco Raízes de Arcoverde. Esse momento ocorreu justamente na abertura do festival, no dia 09/10, quando o Coco Raízes de Arcoverde fez a primeira apresentação do palco Maria de Lourdes nesta edição atual e continuou com o Coco Fulô do Barro como atração seguinte da programação. 

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O Samba de Coco Raízes de Arcoverde tem a liderança dos mestres Assis Calixto (Patrimônio Vivo de Pernambuco, Patrimônio Vivo de Arcoverde, Notório Saber em Cultura Popular pela UPE e Cidadão Arcoverdense) e Damião Calixto (Patrimônio Vivo de Arcoverde, Notório Saber em Cultura Popular pela UPE e Cidadão Arcoverdense). Inclusive, em outubro, eles celebram seus respectivos aniversários. Assis fez 81 anos de idade, enquanto Damião chegou aos 80 anos. 

Além de Assis Calixto (cantor, compositor e triângulo) e Damião Calixto (cantor e pandeiro), o grupo Coco Raízes é formado por Françua Gomes (surdo - instrumento percussivo), Danilo Calixto (pandeiro), Dayane Calixto (dançarina), Ilma Calixto (cantora), Damares Calixto (cantora), Kell Calixto (cantor e musicista), Iranildo Calixto (dançarino), Joana D’Arc (ganzá e vocal), Douglinhas (cantor e pandeiro) e Luna Calixto (vocal). Atualmente, 12 artistas compõem a formação. 

Já o Coco Fulô do Barro, que surge em 2016, é liderado por Marcelo Cavalcanti (cantor, compositor e criador do grupo), juntamente com Heltton Hugo (surdo - instrumento percussivo), Vitória Aparecida (cantora e voz), Kamilly Vitória (voz), Riquelme Magalhães (cantor e pandeiro), Ronald Magalhães (triângulo), Urielly Pereira (cantora e voz), Wesley Xukuru (dançarino) e Marcelinho (dançarino). O grupo também inspira-se no Coco Raízes de Arcoverde. 

Além do trupé — a dança e o ritmo dos pés com tamancos de madeira nos tablados —, que traz uma identidade percussiva e ancestral, os instrumentos surdo, pandeiro, triângulo e ganzá e as vozes compõem a originalidade da cultura do Samba de Coco. Até então, mais de 12 grupos de Samba de Coco estão em atividade em Arcoverde. 

Reencontros

Vale dizer que o Samba de Coco Raízes de Arcoverde reencontra o Parque Santana, onde o grupo fez show no ano de 2023, pelo FAM Festival. Além disso, o Coco Fulô do Barro tem um reencontro com Maciel Salú, que em 2026 realizou o Julho Estrelado, na Rua da Guia (centro do Recife), levando o Fulô do Barro para a programação. No mês de agosto, Maciel Salú foi tocar em Arcoverde, pelo Festival Pernambuco Meu País, sendo assistido na ocasião pelos grupos de coco arcoverdenses. 

É importante lembrar que Maciel Salú assina a direção musical do álbum “Na Batida do Surdo e no Balanço do Ganzá” (2025), produzido em Arcoverde. Com a realização do Selo Sesc Pernambuco, a obra autoral reúne sete grupos arcoverdenses de Samba de Coco. 

Em continuidade, os grupos arcoverdenses de Samba de Coco e Maciel Salú estão ampliando as parcerias nos encontros de cultura popular, com o fortalecimento dos vínculos locais e a valorização das expressões artísticas e da preservação da memória. A troca também proporciona a criação, o diálogo e o envolvimento entre municípios do interior e da Região Metropolitana do Recife (RMR).