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A Igreja Católica em Angola fez um alerta grave sobre o crescimento de sequestros de crianças e o tráfico de órgãos na província do Zaire, na fronteira com a República Democrática do Congo (RDC). O bispo Dom Vicente Carlos Kiaziku denunciou, no final de setembro, que a vulnerabilidade socioeconômica das famílias locais tem facilitado a ação de redes criminosas na região.
Segundo o prelado da Diocese de Mbanza Kongo, o fluxo de menores resgatados pela polícia e encaminhados a centros de acolhimento é contínuo. Dom Vicente Kiaziku destacou que não passa um único mês sem que novas vítimas de rapto sejam acolhidas pelas instituições católicas locais, apelando à sociedade civil e a famílias com condições financeiras que considerem a adoção legal dessas crianças desamparadas.
Destino trágico e exploração na RDC
O bispo alertou que o destino final dessas crianças levadas para a vizinha RDC é alarmante. Longe de encontrarem uma vida melhor, os menores enfrentam realidades brutais como a escravidão moderna, a exploração sexual e o mercado clandestino de partes do corpo humano. "As crianças que são levadas não vão para um paraíso, vão para o inferno", enfatizou o líder religioso.
A gravidade do cenário foi recentemente confirmada pela Justiça angolana. O Tribunal de Comarca de Mbanza Kongo julgou duas cidadãs congolesas que se passavam por freiras. Elas foram detidas na fronteira tentando contrabandear sete crianças angolanas, retiradas ilegalmente de um abrigo em Luanda, com destino ao território congolês.
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