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O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) instauraram procedimentos para apurar recentes ataques contra indígenas registrados em Mato Grosso do Sul após o segundo turno das eleições presidenciais. As investigações buscam verificar a veracidade das acusações encaminhadas por entidades representativas e assegurar a integridade e a proteção dos territórios tradicionais.

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a violência se intensificou em diversas comunidades. Na aldeia Jaguapiré, localizada no município de Tacuru, a residência de Ñandesy Roberta, uma rezadeira de 90 anos, foi destruída por um incêndio criminoso. O ataque também queimou objetos sagrados dos povos Kaiowá e Guarani.

Ameaças e discurso de ódio em Tacuru

A Apib aponta a ocorrência de mais de 30 episódios violentos ligados ao cenário eleitoral no estado. Em Tacuru, áudios divulgados nas redes sociais revelaram declarações hostis de funcionários públicos locais contra a população indígena. Em uma das gravações, um servidor sugere colocar veneno na água que abastece as comunidades.

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O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou que o autor da declaração é um funcionário municipal e informou o seu afastamento cautelar, além da abertura de um processo administrativo disciplinar (PAD). O gestor pontuou que o servidor não atua no abastecimento de água. Outro áudio sob apuração mostra um segundo funcionário fazendo ameaças diretas de agressão.

Apurações e desinformação

Em relação aos casos relatados, o MPF determinou um prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru preste esclarecimentos detalhados sobre as providências tomadas. Por outro lado, o órgão esclareceu que denúncias sobre supostos homicídios motivados por divergências políticas no município de Naviraí foram descartadas após verificação técnica, sendo classificadas como boatos alimentados por desinformação.

Diante da gravidade do cenário, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) acionaram a Polícia Federal. O ministro Eloy Terena anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial para centralizar o recebimento de denúncias e coordenar as ações de proteção em conjunto com os órgãos competentes.

FONTE/CRÉDITOS: Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil