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A empresa francesa de eletricidade EDF recusou-se a receber representantes da ONG Justiça Ambiental e ativistas de Moçambique que viajaram até Paris para discutir o projeto da barragem de Mphanda Nkuwa.
A viagem ocorreu a convite da organização francesa CCFD-Terre Solidaire. Diante da negativa de diálogo por parte da companhia, os manifestantes realizaram um protesto em frente aos escritórios da EDF na última quarta-feira, 21 de outubro.
O grupo exibia cartazes com frases como "Não comemos barragens, comemos peixe!". A mobilização busca alertar a sociedade civil e parlamentares franceses sobre os riscos ambientais e sociais associados ao megaprojeto hidrelétrico.
A Justiça Ambiental tentou agendar uma reunião oficial levando membros das comunidades que serão diretamente impactadas. Contudo, a EDF alegou não ser a única responsável e redirecionou o grupo para o consórcio gestor.
Alex Chipissane Thaulo, líder comunitário de Ntepe, afirmou ter viajado para deixar claro que a população rejeita a construção. Já a diretora da Justiça Ambiental, Anabela Lemos, criticou a postura da empresa.
Segundo Anabela Lemos, a recusa demonstra falta de transparência e de informações concretas sobre os impactos reais da obra. A ativista reforçou que a prioridade dada à exportação de energia ignora as necessidades básicas dos moçambicanos.
Por sua vez, Charlotte Kreder, da CCFD-Terre Solidaire, apontou que o silêncio é comum em iniciativas dessa magnitude. O objetivo seria manter a opacidade para evitar contestações informadas das comunidades locais.
O projeto da barragem no rio Zambeze, na província de Tete, é visto pelo governo como motor econômico. No entanto, especialistas e ativistas alertam para riscos sísmicos, emissão de metano e deslocamentos forçados.
Por: Neidy Ribeiro
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