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François de Souza Silva, conhecido artisticamente como Françua Gomes e reconhecido pela continuidade da levada do surdo (instrumento percussivo), é o homenageado do Festival Lula Calixto 2026, tradicionalmente realizado no Alto do Cruzeiro, no município de Arcoverde. Este ano, ocorre de 09 a 11 de outubro (sexta-feira, sábado e domingo), na rua (gratuito), com a realização do Samba de Coco Raízes de Arcoverde.
Neste ano de 2026, o artista e músico do Samba de Coco Raízes de Arcoverde — desde o resgate do grupo em 1992, reunindo atuações no ganzá e como dançarino (trupé) antes do próprio surdo — também recebeu uma homenagem do Cordel do Fogo Encantado, banda pernambucana autoral na qual ele está na história por compor a primeira formação no ano de 1997, em Arcoverde. Ele é natural do município de Arcoverde e hoje tem 50 anos de idade, ou seja, cinco décadas de vida. Em 2025, foi indicado ao Prêmio da Música Brasileira, sendo uma conquista coletiva do Coco Raízes como destaque nacional.
No Samba de Coco Raízes de Arcoverde, o pernambucano Françua é chamado de "coração" justamente pela identidade percussiva do surdo, a partir da originalidade, ritmo, sonoridade e sobretudo por preservar as raízes e origem do grupo autoral do Sertão de Pernambuco. A partir do repasse do mestre vivo arcoverdense Biu Neguinho (96 anos de idade), criador e referência do surdo no samba de coco, Françua mantém viva a tradição, compartilhando saberes, memórias e histórias por meio da arte, cultura, educação, música e vivências. Ele também desfilou na Escola de Samba de Biu Neguinho, em Arcoverde.
Além de musicista, atua como arte-educador realizando diversas atividades formativas, rodas de conversa, oficinas e encontros artístico-culturais, valorizando o pertencimento local, a identidade racial e a classe social.
O seu pai é o mestre Cícero Gomes, chamado de Ciço Gomes, com mais de 70 anos, 50 deles na cultura popular. Ele é o fundador do Samba de Coco Trupé, que existe desde 2009 em Arcoverde, e também um dos responsáveis pelo resgate do Samba de Coco em Arcoverde. Ambos mantêm a existência da cultura de raiz do samba de coco, com o compartilhamento de conhecimentos populares. Françua tem quatro filhos e é avô, já com duas netas.
Com o Coco Raízes, por exemplo, o artista Françua contribui coletivamente nas performances ao vivo, nas atividades de formação, nas gravações de álbuns, músicas e audiovisual, shows e muito mais. Ele leva Arcoverde, o Sertão de Pernambuco e a representatividade do interior do estado pelas próprias regiões locais, diversos estados do Brasil e mundo afora. Nacionalmente, reúne experiências por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Ceará, Paraíba, Alagoas, Maranhão etc.
Há exatamente 20 anos, Françua fez a primeira turnê internacional com o Coco Raízes de Arcoverde pela Europa, chegando a países como Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Itália e Noruega. No continente europeu, houve apresentações ao vivo e oficinas juntamente com o grupo.
Dentro da própria cidade de Arcoverde e dos municípios vizinhos, ele soma como musicista da região com uma diversidade de artistas e grupos, sobretudo do forró, xote, baião e outros ritmos populares.
Françua também tem atuações até hoje com produção de shows e festividades, realizando montagem e desmontagem de palco e assistência, além de mais trabalhos técnicos de maneira independente. Ele dialoga com espaços profissionais conquistados em circuitos do Sesc e de editais públicos.
Música, cinema e teatro
Nos anos 90, ele tocou triângulo e zabumba com a banda Casaca de Couro (forró pé de serra), formada por Lirinha, Clayton Barros, Zé do Peba e Alberone Padilha. Até hoje, o artista participa de desfiles com a Banda Colégio Diocesano Cardeal, de Arcoverde, como fuzileiro, além de tocar caixa nos grupos Maracatu Batuque do Sertão e Mistura de Raça, ambos de Arcoverde.
No audiovisual, Françua está no elenco do filme “Re Te Tei” (2026), obra de cinema com produção arcoverdense, da categoria infantil/infanto-juvenil, e inspirada no espetáculo de mamulengos da Tropa do Balacobaco (Arcoverde).
Dança
Vale lembrar que no ano de 2024, em Arcoverde, o artista Clayton Barros, violonista do Cordel do Fogo Encantado, fez uma homenagem ao Samba de Coco com a presença de Françua Gomes, que foi ao palco como convidado para dançar o trupé durante o projeto solo de Clayton, juntamente com uma banda na apresentação ao vivo.
Publicado por:
Daniel Lima
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
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