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Com origem no município de Olinda/PE, Caboclo Mestiço preserva e valoriza a tradição das expressões culturais em suas obras musicais autorais, que unem instrumentos orgânicos, bases eletrônicas e ritmos da cultura popular. Na nova canção — “De Corpo Inteiro”, disponível na internet —, traz a ciranda da Zona da Mata Norte de Pernambuco, com a participação do mestre cirandeiro Anderson Miguel, natural do município de Nazaré da Mata, contribuindo com a voz e a presença direta nos estúdios de gravação. O lançamento também é composto por um visualizer (audiovisual). 

É a primeira vez que Caboclo Mestiço, que existe desde 2018, faz um registro musical com a assinatura em parceria. Os artistas pernambucanos Alê Maia — cantor e compositor — e Hamilton Tenório, músico que toca guitarra, teclado e atua com beats eletrônicos (instrumental), são os criadores do projeto. Além disso, assinam em conjunto a produção musical e a direção executiva, com realização independente. 

“A ciranda ‘De Corpo Inteiro’ leva a sua contribuição para a conservação, fortalecimento e continuidade desse ritmo popular que é Patrimônio Cultural do Brasil, registrado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)”, destaca o artista Alê Maia. 

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A conexão entre Caboclo Mestiço e Anderson Miguel surge a partir de um encontro artístico-cultural no Engenho Cumbe, na zona rural de Nazaré da Mata, sendo um local reconhecido como o de nascimento do Maracatu Rural Cambinda Brasileira, fundado em 1918. Além de centenário e de toda a representatividade, é Patrimônio Vivo de Pernambuco e Ponto de Cultura do Estado, por sua memória, identidade e resistência cultural afro-brasileira. 

Hamilton Tenório lembra dos caminhos e suas aberturas. “Foi justamente neste ano de 2026, na celebração dos 108 anos de existência do Maracatu Rural Cambinda Brasileira, no mês de janeiro. Naquele momento, houve uma admiração de Anderson Miguel em relação à proposta de gravar uma ciranda, diante de tantas vivências desse mestre, que cresceu no terreiro de Maracatu de Baque Solto. Ele também representa a tecnologia popular, abrindo diálogo com outras linguagens musicais que estão enraizadas nas tradições culturais de Pernambuco”, conta o artista da banda Caboclo Mestiço.  

Vale reforçar sobre as parcerias musicais já realizadas nacionalmente pelo artista Anderson Miguel, com Juçara Marçal (SP), Clarianas (SP) — formada por cantadeiras urbanas —, Jorge Du Peixe (PE) e Lenine (PE). Assim como ele tem um álbum, lançado ainda no ano de 2018. 

“Entrei de corpo inteiro. O nome dessa canção do grupo Caboclo Mestiço já diz tudo. Levo sempre a Zona da Mata Norte de Pernambuco e ao mesmo tempo entro e sinto estilos musicais diversos e diferentes da minha região. Acredito na arte, poesia e histórias. É um reencontro porque a gente se encontrou no Engenho Cumbe. O reflexo disso é o acolhimento musical e a mistura dos ritmos”, explica Anderson Miguel.

Além de Alê Maia e Hamilton Tenório, mais músicos de Pernambuco participaram da gravação de “De Corpo Inteiro”: Luiza Roberta (trombone), Peu Drums (percussão), maestro Nilsinho Amarante (trombone e arranjos de sopro) e Enok Chagas (trompete). A mixagem e a masterização são assinadas pelo pernambucano Leo D. As gravações ocorreram no município de Olinda: Toca do Lobo Records, em Bairro Novo, e no HT Estúdio, na Cidade Tabajara. Tiago Gadelha fez a captação das vozes, sopros e percussão. 

“O respeito à tradição dos ritmos da cultura popular está no conceito artístico da produção fonográfica da banda Caboclo Mestiço. Isso porque acreditamos nos elementos tradicionais e suas representatividades que definem a estrutura histórica da música brasileira, sobretudo no Nordeste, onde encontramos as referências que levamos como essência e identidade das obras”, afirma Alê Maia.

A produção musical feita pela dupla compõe toda musicalidade e fundamento enquanto artistas, musicistas e produtores. “A raiz sonora da canção é a ciranda, que em seu entorno encaixa com instrumentais eletrônicos, sendo essa união a responsável pela materialização fonográfica que se apresenta nesta nova música”, afirma Hamilton Tenório. 

Os arranjos de sopro, tanto do trombone quanto do trompete, têm a autoria do maestro  Nilsinho Amarante, que, assim como Anderson Miguel, é natural de Nazaré da Mata. Com conquistas e reconhecimentos na cultura popular e na música brasileira, o artista reúne trabalhos com muita gente de Pernambuco, a exemplo de Spokfrevo Orquestra, Elba Ramalho, Alceu Valença, Fagner, Naná Vasconcelos, Banda Eddie, Silvério Pessoa, Lula Queiroga, Antônio Nóbrega, André Rio, Nena Queiroga, entre outras e outros.

“Houve a liberdade de tocar trompete e trombone, lembrando que na ciranda a tradição é do trompete. A gente coloca na canção essa atmosfera da ciranda de Pernambuco, somada aos eletrônicos, com a harmonia e a propriedade dos instrumentos de sopro, conhecidos como metais”, acrescenta Nilsinho Amarante. 

O audiovisual, com imagens e edição do pernambucano Thiago Barros, responsável também pela fotografia da capa, é contemplado pela produção e direção de Alê Maia e Hamilton Tenório, que também atuam no visualizer com a presença do próprio mestre Anderson Miguel. A banda Caboclo Mestiço tem a música e os elementos do Nordeste brasileiro como influências. Esse pertencimento com a região e o estado está presente musicalmente e também nas composições e imagens artísticas do grupo.

Caboclo Mestiço está nas plataformas digitais desde 2019, quando fez sua estreia com o EP que leva o nome da banda. No ano de 2023 foi a vez de lançar o primeiro álbum, “Sistema Sonoro”, com dez canções. A discografia do grupo também é composta por lançamentos de músicas únicas — “Rua do Amanhecer” (2024), “Maria Índia” (2024), “Brilho no Rosto” (2025), “Preto Sem Rei” (2025) e “Pela Brisa do Mar” (2026), essa antecede justamente “De Corpo Inteiro” — e registros de audiovisual. Entre os shows já realizados nos palcos, festivais, mostras, espaços culturais, públicos e artísticos, destaca-se o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), no Agreste do estado, e a Fenearte, em Olinda, além das apresentações no Carnaval do Recife e de Olinda. 

É importante lembrar que a ideia da banda Caboclo Mestiço é fruto do acesso à universidade, pelo curso de produção fonográfica da Associação de Ensino Superior de Olinda (AESO), onde os artistas Alê e Hamilton se conheceram, estudaram e ampliaram os conhecimentos juntos. Hamilton, inclusive, acrescenta ao projeto suas vivências com o Lamento Negro (movimento e grupo do bairro de Peixinhos, Olinda, com quase 40 anos de história cultural e na música negra pernambucana) e o Daruê Malungo (espaço e grupo de arte e cultura afro-indígena entre os bairros de Campina do Barreto, na Zona Norte do Recife, e Peixinhos, em Olinda).

Letra

Com composição de Alê Maia, “De Corpo Inteiro” celebra o fato de viver enquanto povo latino, que desfruta das águas dos rios e dos mares da América do Sul. “Trago a ciranda/Pra ver o dia/Balanço o corpo/Como a maré faz com o mar”, diz a abertura da letra. E continua: “Entorto as águas/Pelas areias/E não há pedra que/Não se deixe beijar”. 

A canção faz referência direta à origem da ciranda, dança com raízes no Nordeste Brasileiro e compartilhada e vivenciada por famílias de mestras, mestres, pescadoras, pescadores e comunidades ribeirinhas. Existe aí uma relação com a natureza. 

“Leva a ciranda/Num rodopio/Estende o braço/Sentindo a chuva molhar”, diz a letra, que na sequência traz esse verso: “Aproveito a vida/Sem deixar para amanhã/Vou de corpo inteiro/Peito aberto e emoção”. Adiante vem com a poética: “Canto de sereia/Boto Rosa, Céu azul/Canto Rios e Mares/Pela América do Sul”. 

“De Corpo Inteiro” (2026) - ficha técnica 

Voz 1, letras (composição) e melodias: Alê Maia

Voz 2: mestre Anderson Miguel

Produção musical e direção executiva: Alê Maia e Hamilton Tenório

Instrumentais eletrônicos e guitarras: Hamilton Tenório

Trombone 1, arranjos de trombone e de trompete: maestro Nilsinho Amarante

Trombone 2: Luiza Lima

Trompete: Enok Chagas

Percussões: Peu Drums

Gravação de vozes, trombones, trompete e percussões: Tiago Gadelha

Gravação de teclados e guitarra: Hamilton Tenório

Mixagem e masterização: Leo D

Estúdios das gravações: Toca do Lobo Records, em Bairro Novo (Olinda), e no HT Estúdio, na Cidade Tabajara (Olinda)

Arte da capa: Thiago Barros (fotografia) e Hamilton Tenório (ilustração)

Produção e direção audiovisual: Alê Maia e Hamilton Tenório