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Em maio de 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, inaugurou em São Roque uma unidade do programa Escolas do Futuro. A iniciativa, no entanto, vem recebendo duras críticas de especialistas por priorizar propaganda política e tecnologia cara em detrimento de infraestrutura básica na rede pública.

O projeto, que também foi implantado em Itapevi, é acusado de criar "vitrines administrativas" isoladas. Enquanto poucas unidades recebem investimentos milionários, a maior parte da rede estadual enfrenta precarização. Esse cenário aprofunda as desigualdades educacionais em vez de promover uma modernização real e inclusiva.

A unidade de São Roque, licitada em 2022 por mais de R$ 40 milhões, iniciou as atividades em agosto de 2026 após atrasos. Durante a inauguração, que contou com a presença do prefeito Ricardo Nunes, protestos de opositores foram reprimidos com violência, evidenciando a forte tensão política em torno da obra.

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Falhas graves de infraestrutura e acessibilidade

Uma vistoria do Conselho Municipal de Educação (CME) de São Roque revelou contradições alarmantes na escola, projetada para até mil alunos. Os conselheiros constataram que as pias dos sanitários infantis foram instaladas na altura para adultos. Além disso, banheiros para pessoas com deficiência carecem de ventilação adequada.

O relatório do CME também alertou para a falta de limitadores nas janelas dos andares superiores, gerando risco de quedas. Na decoração, foram identificadas referências religiosas católicas e budistas, violando a laicidade do Estado, além de uma quase total ausência de figuras históricas femininas e brasileiras nas paredes.

Tecnologia milionária versus falta de biblioteca

A maior contradição reside nos gastos. Enquanto o laboratório de tecnologia LabMaker tem custo de manutenção estimado em R$ 2,9 milhões anuais, a escola não possui uma biblioteca estruturada, dispondo apenas de um "cantinho de leitura". Críticos apontam que o valor anual é desproporcional para a receita do município.

A unidade também enfrenta dificuldades para atrair professores concursados, mesmo oferecendo gratificações. Segundo o sociólogo Rogério de Souza, em artigo publicado no portal Outras Palavras, o projeto representa uma "modernização conservadora", que foca em aparências tecnológicas, mas mantém velhas desigualdades estruturais na educação.

FONTE/CRÉDITOS: Washington Andrade