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Apresentada no FESTin, a curta-metragem moçambicana Maternidade, dirigida por Hélder Bata, examina o impacto devastador do rapto de um recém-nascido e a dor psicológica invisível que se segue. A obra coloca em evidência os desafios emocionais enfrentados pelas mulheres após o parto.
O nascimento de Lia deveria ser o princípio de uma vida nova para Amara e João. Porém, torna-se o início de uma ruptura quando uma mulher que se apresenta como voluntária entra no hospital e leva a criança.
João procura respostas através das instituições, enquanto Amara fecha-se num sofrimento que altera a sua relação com o marido, com a família e com a própria realidade.
Atormentada pelo choro da filha desaparecida, acaba por transferir o afecto para uma boneca que acredita ser Lia.
A origem do filme está numa história real ouvida por Hélder Bata num podcast, sobre uma mulher que quase perdera o bebé e descrevia as consequências psicológicas da experiência.
O realizador começou a investigar casos de crianças roubadas em diferentes países e encontrou elementos semelhantes em várias nações ao redor do mundo.
Foi durante essa pesquisa que Hélder Bata chegou a uma das ideias centrais de Maternidade, o luto ambíguo. Ao contrário de uma morte confirmada, o desaparecimento não permite uma despedida.
A investigação levou-o também à depressão pós-parto, realidade que alterou o centro da narrativa para observar o que acontece à mulher após o trauma.
Hélder Bata associa esse silêncio à dificuldade de levar a sério o sofrimento psicológico feminino num mundo ainda marcadamente machista.
O filme introduz ainda uma dicotomia entre as respostas institucionais e as formas tradicionais de enfrentar a perda, refletindo as tensões presentes na sociedade moçambicana.
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