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No último sábado (24), uma manifestação política na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, trouxe à tona o simbolismo racial no debate público. Durante a dispersão de um ato de apoiadores do candidato Flávio Bolsonaro, um homem branco foi filmado segurando uma corrente ao lado de um homem negro vestido com adesivos do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gerando fortes reações.

A imagem provocou questionamentos sobre o peso de representações associadas à escravidão no contexto eleitoral brasileiro. Embora a cena possa ter sido planejada como uma provocação pontual, especialistas ressaltam que objetos como correntes acionam marcas profundas da história do país quando expostos junto a corpos negros.

Memória histórica e o Cais do Valongo

A poucos quilômetros do local do evento está o Cais do Valongo, antigo porto carioca reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial em 2017. Estima-se que cerca de 900 mil africanos escravizados desembarcaram ali a partir de 1811, tornando a região um marco físico da violência estrutural que fundamentou a sociedade brasileira.

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Em setembro de 2025, a Lei nº 15.203 oficializou o sítio como patrimônio histórico-cultural afro-brasileiro. O reconhecimento reforça que a memória do tráfico atlântico e da escravização necessita ser tratada com seriedade institucional, evitando a banalização de símbolos de dominação.

O racismo e a linguagem política

Conceitos desenvolvidos pela intelectual Lélia Gonzalez ajudam a interpretar como o racismo no Brasil frequentemente opera de forma velada. Para a pensadora, discursos públicos costumam negar a existência de hierarquias raciais mesmo enquanto reproduzem violências simbólicas em gestos cotidianos ou atos de campanha política.

Apesar de legislações como a Lei nº 10.639/2003 e a Lei nº 11.645/2008 determinarem o ensino da história afro-brasileira e indígena nas escolas, o conhecimento histórico ainda enfrenta obstáculos para se consolidar no debate público.

Segundo dados do Censo de 2022 do IBGE, pretos e pardos somam 55,5% da população nacional. A expressividade desse grupo contrasta com a persistência de estereótipos que reduzem a experiência negra a figuras de subordinação em palanques e manifestações de rua.

FONTE/CRÉDITOS: Washington Andrade