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Enquanto as atenções públicas se concentram no cenário eleitoral em Brasília, a bancada ruralista atua nos bastidores do Congresso Nacional para consolidar sua hegemonia e flexibilizar a legislação ambiental no Brasil. Representada pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), essa força política ocupa 60% do Parlamento — 345 das 594 cadeiras —, impactando diretamente as decisões sobre o clima e os recursos naturais.

Impactos climáticos e avanço sobre terras públicas

Apesar de promover a imagem de motor econômico, a atuação legislativa do grupo impulsiona danos estruturais graves. No âmbito das mudanças climáticas, o setor agropecuário responde por cerca de 75% das emissões de gases de efeito estufa no país, impulsionado pelo desmatamento sistemático, pelas queimadas e pela pecuária extensiva.

O avanço sobre áreas de preservação compromete o equilíbrio de biomas estratégicos como a Amazônia e o Cerrado. Conforme revelado em reportagem de ((o))eco, a grilagem já tomou quase 12 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas no território amazônico, enquanto a FPA atua para anistiar ocupações e fragilizar a fiscalização do IBAMA.

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Concentração agrária e uso de agrotóxicos

A profunda assimetria no acesso à terra agrava esse cenário. Segundo levantamentos da Oxfam Brasil, menos de 1% das propriedades rurais controla quase metade de toda a área agrícola nacional. Paralelamente, o avanço de pautas como o "Pacote do Veneno" consolida o país entre os maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, liberando substâncias banidas no exterior.

Essa dinâmica possui raízes históricas profundas. Investigações do Projeto Escravizadores indicam que diversas autoridades políticas mantêm vínculos familiares com a exploração do trabalho escravizado no passado. Além disso, a bancada estende sua atuação a pautas trabalhistas e educacionais, resistindo a direitos sociais e tentando revisar conteúdos escolares sobre sustentabilidade.

Conforme análise publicada por Bruno Araujo em ((oeco)), qualquer projeto sustentável e soberano no Brasil exigirá o enfrentamento direto ao poder do latifúndio e a reorganização da representação política no Poder Legislativo.

FONTE/CRÉDITOS: Washington Andrade