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Um ataque terrorista em Trappes, nos arredores de Paris, chocou a França após um homem de 39 anos abrir fogo contra pessoas de origem africana e magrebina no dia 23 de outubro, deixando um morto e sete feridos. O agressor, movido por ideologias de extrema-direita, confessou ter agido por motivações racistas ao visar deliberadamente a população local.

O atirador, identificado como Kevin T., viajou cerca de 30 quilômetros para atacar Trappes e a vizinha La Verrière. Ele justificou o atentado recorrendo a discursos políticos que rotulam o município como um reduto extremista. Na residência do suspeito, autoridades apreenderam materiais de propaganda radical e um exemplar do livro "Mein Kampf".

Convivência comunitária e histórico local

Apesar da estigmatização política, os residentes destacam o histórico de diversidade da cidade. O município foi reconstruído após a Segunda Guerra Mundial com a contribuição de trabalhadores imigrantes de diversas nacionalidades, incluindo portugueses, argelinos e marroquinos.

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Marília da Costa, presidente da associação cultural Estrelas do Minho, declarou à RFI que a violência não reflete o cotidiano da região. Segundo a dirigente, as diferentes comunidades vivem em harmonia há décadas, tornando o ataque um episódio doloroso e atípico para os moradores locais.

Crescimento dos crimes de ódio

O atentado ocorre em meio ao crescimento das tensões raciais no país. Dados de 2025 indicam um aumento de 5% nos crimes de ódio registrados pelas autoridades francesas, somando quase 17 mil ocorrências entre ameaças, injúrias e agressões físicas de grande violência.

Lideranças comunitárias, como Pedro Delgado, da Federação das Associações Cabo-Verdianas, alertam que discursos xenófobos tendem a se intensificar com a proximidade de períodos eleitorais. Ele defende que a resposta para o problema exige políticas públicas integradoras e combate contínuo ao preconceito na sociedade.

FONTE/CRÉDITOS: Vitor Lúcio Andrade