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A fotografia completa duzentos anos desde que Nicéphore Niépce fixou uma imagem permanentemente. Para assinalar o bicentenário, o projeto multimédia “200 Anos-Luz” convidou o artista angolano Délio Jasse a refletir sobre a evolução do olhar e a importância dos arquivos históricos.

Num cenário onde milhares de registos visuais são produzidos e descartados diariamente, Jasse aponta que a nossa relação com o meio mudou. Para ele, a banalização não destruiu a capacidade de observar, mas tornou o processo consideravelmente mais apressado e superficial.

Convidado a analisar o passado através de retratos históricos, como os de Agostinho Neto e Amílcar Cabral, o fotógrafo destaca que o arquivo atua como matéria viva. O objetivo não é apenas reproduzir o passado, mas transformar documentos e construir novas memórias coletivas.

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O criador também aborda a transição para o universo digital, ressaltando que ferramentas modernas e analógicas coagem no seu processo. Ao cruzar cianotipia, documentos antigos e suportes digitais, o autor extrai narrativas de elementos que normalmente passariam despercebidos.

FONTE/CRÉDITOS: Vitor Lúcio Andrade