“Papo Cannibal” traz as artistas pernambucanas Dani Carmesim e Caetana para o segundo episódio do videocast, lançado em abril de 2025 por Marconi de Souza Santos, popularmente conhecido por Cannibal, da comunidade do Alto José do Pinho, no Recife. Além de artista autoral, ele é ativista político-social, arte-educador e escritor, sendo uma figura pública de referência em Pernambuco e nacional, com destaques também internacionalmente. 

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Cantora e compositora, Dani Carmesim faz um corre autoral, independente e alternativo desde 2011. Nesse tempo, lançou dois EP’s e dois discos. Seu objetivo é utilizar a música como espaço de representatividade, estimulando a valorização da mulher negra dentro do mercado fonográfico, principalmente no segmento do rock, atuando por meio de composições profundas e até autobiográficas.

Já Caetana é a primeira cantora e compositora trans a gravar um frevo no Brasil, sendo uma das recentes potências da atualidade do fazer popular de Pernambuco, do coco de roda, frevo, maracatu etc. Natural do Coque (Recife), a artista autoral dialoga com a dança, a música, a composição etc. Foi mencionada pela revista Noize (edição especial Tincoãs) e pela revista Rolling Stone, como uma das 25 vozes que olham para o futuro da música brasileira, além de ser uma das promessas em 2024 do programa “Estação Livre” (TV Cultura).

Por si só, Cannibal é um comunicador local, que agora tem o “Papo Cannibal” (videocast com cinco episódios). A partir de uma conversa informal, o material audiovisual reúne entrevistas com 11 pessoas de diversas áreas artístico-culturais e de espaços de liderança nas periferias da Região Metropolitana do Recife (RMR). Ele troca ideias justamente com artistas autorais referências na própria comunidade. No episódio de estreia, três participações - Zé Brown (cantor, compositor e arte-educador); Fabrício Nunes (cantor e compositor da banda Plugins, da Zona Oeste do Recife); Luísa Cunha (cantora e compositora da banda pernambucana Odiosa). 

“Esses lançamentos dos episódios do videocast também têm o objetivo de registrar histórias, preservar memórias e valorizar a identidade, assim como fortalecer a cultura periférica”, reforça. 

A ideia do Papo Cannibal surgiu do desejo de propor espaços de diálogos sobre arte, cultura e educação, trazendo para debate o que está sendo produzido por pessoas das próprias periferias locais. 

“As conversas trazem memórias, vivências e exemplos de impactos de diferentes ações de arte e cultura nas comunidades”, acrescenta. 

Os episódios seguintes seguem essa sequência: 3 - Ignus (comunicadora audiovisual); Edson Fly (jornalista, ator e cofundador do núcleo de comunicação da Caranguejo Uçá, na Ilha de Deus, Recife); José Carbonel (pesquisador audiovisual, grafiteiro, arte-educador e fundador da Manguecrew); 4 - Chiquinho (ex-jogador e vice-prefeito de Olinda); 5 - Marcos Simão (da comunidade do Alto José do Pinho); Evandro Correia (também do Alto José do Pinho).

“O Papo Cannibal tem uma pegada mais informal, com outra forma de conversar sobre arte e cultura e as suas importâncias nas periferias. A partir de diversos olhares das áreas artístico-culturais, levamos propostas para o fomento da arte, realizações de vida com projetos autorais e desafios do presente e para o futuro”, pontua. 

Todos os encontros para a gravação do videocast aconteceram diretamente do estúdio de Paulo Cavalcante, profissional local que ficou à frente da captação de áudio e vídeo do “Papo Cannibal”. Também na ficha técnica estão Kyra França (produção cultural e executiva) e Taísa Ateyeh (direção de arte e design). 

O “Papo Cannibal” tem o incentivo público por meio da Lei Paulo Gustavo (LGP) - Edital de Fomento de Expressões Periféricas, via Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco. Esta iniciativa também é um espaço para criações artísticas  coletivas e da expressão da identidade, desenvolvidas juntamente com temáticas racial, social, de gênero, política, cultural e educativa.

Figura pública

Cantor, compositor e baixista da banda Devotos desde 1988 — punk rock e hardcore autoral —, Cannibal rodou o mundo e até hoje tem conquistado espaços de protagonismo em Pernambuco e pelo Brasil afora. Para além dos shows e das premiações ao longo da carreira, entrevistas em rádios, tv’s e internet, participações em apresentações musicais, festivais, debates, mediações e eventos nas escolas, universidades e espaços culturais. Ele ainda é torcedor símbolo do Santa Cruz Futebol Clube, tendo uma relação direta com o futebol e a torcida.

Entre suas criatividades e atualidades estão o livro lançado “Música para o povo que não ouve” (2018 - editora Cepe), e o ao vivo “Trocando Ideia, Ouvindo Vinil”, às segundas-feiras, a partir das 20h, em seu perfil no Instagram. Vale destacar que o artista também é criador e vocalista da banda pernambucana Café Preto, projeto autoral de dub, reggae, ska e rock iniciado no ano de 2007, em parceria com os produtores musicais e músicos Pierre Leite, atualmente na formação, e Bruno Pedrosa, que seguiu novos rumos.

FONTE/CRÉDITOS: Foto: estúdio Paulo Cavalcante