Espetáculo Teatral Explora A Vida De Egressos Do Sistema Prisional

A Companhia de Teatro Heliópolis reestreia A Boca que Tudo Come Tem Fome (Do Cárcere às Ruas) na Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho, sede do grupo, localizada no Ipiranga. A montagem joga luz sobre a questão: o que significa recuperar a liberdade? Em cena, seis pessoas que passaram pelo sistema prisional brasileiro têm suas trajetórias entrelaçadas. Diante das dificuldades de reinserção social e reconstrução da própria vida, cada uma delas, a seu modo, tenta encontrar uma saída. As marcas do período que passaram atrás das grades permanecem na memória, no corpo e nos afetos.

A encenação de Miguel Rocha utiliza um espelho d’água, uma cenografia de Telumi Hellen, que simboliza o deságue para o momento em que o egresso sai da prisão e precisa encarar a nova realidade. Exu, o orixá das encruzilhadas, aparece como uma presença provocativa ao despertar naqueles sujeitos a fome por novos começos e a avidez por dignidade.

O Cárcere Que Não Termina No Cárcere

Para o encenador Miguel Rocha, a saída da prisão é um desaguar, onde a força da água tanto pode purificar como ser violenta. O espetáculo reflete sobre a realidade de que “o cárcere não termina no cárcere”, pois os personagens carregam o estigma de ex-detentos, enfrentando dificuldades para reativar documentos, reajustar hábitos e lidar com o peso emocional, o que, muitas vezes, leva à reincidência.

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A Cia. de Teatro Heliópolis trabalha com uma perspectiva de histórias humanas, onde a experiência estética se alinha ao discurso. “Nosso desafio não é somente contar a história, mas como contá-la. Todos esses elementos são costurados, tecendo a cena que queremos apresentar”, afirma Miguel Rocha, destacando a busca por extrair a poesia mesmo nos temas mais densos.

A Boca que Tudo Come Tem Fome é resultado do projeto Do Cárcere às Ruas: O Estigma da Vida Depois das Grades, contemplado pela 43ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

FONTE/CRÉDITOS: Verbena Assessoria