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A tese de doutoramento do sociólogo David Boio, defendida recentemente na Universidade de Lisboa, analisa o declínio do partido governante antes das próximas eleições em Angola. O estudo revela que a insatisfação popular com o MPLA cresce drasticamente, levantando debates cruciais sobre a transição de poder no país africano.
O trabalho acadêmico, que obteve a nota máxima de 20 valores no Instituto de Ciências Sociais, destrincha como diferentes gerações de angolanos avaliam o governo. De acordo com Boio, o argumento histórico da conquista da independência já não convence os cidadãos mais jovens.
A pesquisa divide a população em três grupos geracionais: a geração da independência, a da guerra civil e a da paz. Esta última, composta por jovens de 20 a 25 anos, demonstra total desapego aos discursos do passado e sofre com a falta de emprego e perspectivas econômicas.
O distanciamento dos jovens e a oposição
Para as novas gerações, a percepção é de que o Estado é ausente. O sociólogo aponta que o apoio desse grupo à UNITA, principal força de oposição, é estritamente instrumental. Trata-se de um voto de punição ao MPLA, e não de uma adesão ideológica automática.
Com o fim do segundo mandato do presidente João Lourenço, que fará seu último discurso sobre o Estado da Nação em 15 de outubro, o cenário político entra em uma fase de incertezas. Apesar de mais de 80% dos angolanos desaprovarem a gestão atual, uma alternância real de poder em 2027 continua difícil.
Segundo o investigador, a oposição precisaria atuar de forma unida para conseguir contestar os resultados oficiais em um contexto de forte controle autoritário. Sem uma coalizão sólida, a tendência apontada é a manutenção do regime vigente.
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