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O aclamado festival FESTin, em Lisboa, recebe nesta quinta-feira, 8 de outubro, às 21h00, a exibição de "Por Jade", uma obra que consolida a força do cinema angolano contemporâneo. Dirigido por Baruch Tadisi, o longa-metragem cruza as realidades de Angola e Mali para debater temas complexos como poligamia, consentimento e relações de poder familiar.

A trama acompanha Suzana, que descobre no Mali que seu marido, Bakary, ocultou um casamento poligâmico. Segundo o diretor, o verdadeiro conflito da história não reside na tradição em si, mas na falta de transparência. Esse choque cultural serve de ponto de partida para refletir sobre as barreiras invisíveis que dividem sociedades geograficamente próximas.

Conflitos e silêncio social

Tadisi revela que a inspiração surgiu de relatos reais sobre jovens que desapareceram após se envolverem com parceiros estrangeiros. O cineasta destaca que o silêncio em torno dessas vivências transformou o assunto em um tabu. Com o filme, ele busca dar voz a inúmeras mulheres que enfrentam dilemas semelhantes no ambiente doméstico.

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Apesar de enfrentar críticas de setores mais conservadores nas redes sociais, o realizador defende a arte como ferramenta de denúncia. Para ele, o cinema é a principal arma para expor injustiças e promover debates necessários sobre igualdade de gênero e direitos individuais dentro do casamento.

O impacto na infância

O título do longa direciona o foco para Jade, a filha do casal. A criança acaba sendo a principal afetada pelas decisões e disputas de poder dos pais. O diretor enfatiza que, no choque entre amor e tradição, são os mais jovens que carregam o peso das rupturas familiares.

As filmagens, inicialmente planejadas para o Mali, foram transferidas para o deserto do Tômbwa, no Namibe, devido a conflitos armados na região original. Após a exibição em Portugal, a produção seguirá para o Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC), marcando um retorno simbólico e aguardado ao público angolano.

FONTE/CRÉDITOS: Vitor Lúcio Andrade