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Um estudo do Made-USP analisou as mudanças no endividamento das famílias brasileiras entre os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva até 2026, revelando transformações profundas na composição dos débitos no país.
A pesquisa, assinada por Marcelo Martins Fiorelli, Gilberto Tadeu Lima e Marina da Silva Sanches no Made-USP e divulgada no Outras Palavras, destaca que combater a inadimplência exige um crescimento econômico contínuo e sustentável.
Diferenças entre as gestões
Durante a gestão de Jair Bolsonaro, o volume de dívida em relação à renda saltou de 23,21% em 2018 para 31,16% em 2022. O período foi marcado pelo forte avanço de modalidades emergenciais e de alto custo, como o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito.
Já no terceiro mandato do presidente Lula, o indicador permaneceu estável, registrando 30,81% em julho de 2026. Houve uma desaceleração das dívidas emergenciais e um avanço nos financiamentos voltados ao consumo planejado.
Perfil e modalidades de crédito
As modalidades emergenciais apresentam as maiores taxas de juros e inadimplência do mercado financeiro. No governo anterior, a recomposição de dívidas cresceu 16,70% ao ano, enquanto o cheque especial e o rotativo subiram 9,01% ao ano.
Sob o governo atual, o crédito imobiliário subiu para 19,05% da renda das famílias até meados de 2026, impulsionado pela expansão do programa Minha Casa Minha Vida. A aquisição de veículos e bens também ganhou tração no orçamento familiar.
Os pesquisadores concluem que o endividamento é uma questão estrutural da economia brasileira, mas a alteração no perfil dos débitos sinaliza dinâmicas econômicas distintas entre os dois períodos.
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